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Por Weyder Moreira
PolíticaBrasília
Sessão marcada para 15 de setembro deve discutir investigação contra o ministro Alexandre de Moraes; aliados articulam defesa, Gonet confirma presença e colegas ameaçam levar ao debate casos de outros integrantes da Corte
Por Sandra Bernardes · 12 de setembro de 2026 às 20:59 · 5 min de leitura
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Sede do STF, em Brasília / Foto: Gustavo Moreno/STF
O Supremo Tribunal Federal se prepara para uma sessão marcada para o dia 15 de setembro que deve colocar em discussão uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Não é pouco: a movimentação já mobilizou aliados do ministro dentro da própria Corte, que deflagraram o que fontes descrevem como uma ofensiva para blindá-lo antes mesmo de a sessão começar.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, confirmou que deve comparecer à sessão — presença que sinaliza o peso institucional que o caso ganhou dentro do Ministério Público e do próprio tribunal. A pauta oficial, agendada pelo presidente do STF, Edson Fachin, será conduzida no plenário da Corte e decidirá se Moraes deve, de fato, passar a ser formalmente investigado no âmbito do caso Master.
O cenário ganha contornos de crise institucional grave: segundo apurado, ministros do STF ameaçam levar ao debate público os chamados "podres" de colegas caso o julgamento se concentre isoladamente em Moraes. É um recado direto — se um for exposto, todos podem ser. A frase resume o clima de desconfiança mútua que hoje atravessa a mais alta Corte do país.
Enquanto isso, juristas ouvidos defendem a cautela adotada pelo ministro Gilmar Mendes antes da sessão. Mendes atuou para levar ao plenário físico o debate sobre os embates das últimas semanas, esvaziando decisões tomadas de forma isolada na Segunda Turma. Nomes respeitados do meio jurídico, como o ex-desembargador Walter Maierovitch, endossam a medida e avaliam que decisões monocráticas ou fatiadas de ministros, no atual cenário de crise, são inconstitucionais, arbitrárias e perigosas. É mais um sinal de que o tribunal tenta calibrar o próprio desgaste antes de o caso vir a público de forma definitiva.
Paralelamente à crise em torno de Moraes, outra investigação no STF ganhou força nos últimos dias: o senador Flávio Bolsonaro é alvo de apuração relacionada ao financiamento do filme "Dark Horse". O inquérito investiga o suposto uso de emendas parlamentares na produção da obra e segue sob sigilo, conduzido pelo ministro Flávio Dino.
A defesa do senador já pediu, por pelo menos quatro vezes, que o processo seja retirado da relatoria de Dino. Os advogados protocolaram um pedido direto para que Fachin resolva o que classificam como "divergência regimental" e redistribua o caso para André Mendonça. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta ou decisão quanto à redistribuição.
O cidadão que acompanha de fora precisa entender uma coisa: o sigilo não é detalhe técnico irrelevante — é o que hoje separa o que se sabe do que apenas se especula sobre uma investigação que envolve um parlamentar em exercício.
A crise em torno do STF já contaminou a agenda do Congresso. Diante do desgaste institucional, parlamentares sinalizam que pretendem votar a reforma do Judiciário somente depois das eleições de 2026. O texto em discussão na Câmara prevê impor um mandato fixo (que varia de 8 a 12 anos) para os ministros do Supremo, além de instituir a idade mínima de 50 anos para novos indicados e restringir duramente o poder de decisões monocráticas. Na prática, essa decisão das lideranças empurra para 2027 qualquer mudança estrutural na Corte.
Soma-se a isso outra frente de desgaste: a resposta apresentada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, ao STF sobre um relatório apócrifo apresenta, segundo apuração, ao menos quatro contradições em relação ao teor do próprio documento. Embora o chefe da corporação tenha negado que a área de inteligência utilizou fontes abertas para monitorar autoridades, o documento analisou ativamente alinhamentos políticos e fez varreduras noticiosas sobre alas do próprio Supremo. O episódio alimenta a desconfiança em torno da produção de informações sobre autoridades.
O que fica claro, juntando as peças, é que o Supremo entra na sessão de 15 de setembro carregando frentes de tensão simultâneas. O desfecho vai muito além do gabinete de qualquer ministro: afeta a credibilidade de uma instituição que, goste-se ou não dela, segue sendo a última palavra sobre boa parte do que se decide no país.
💬 Participe do debate: Como você avalia o clima de tensão e as acusações mútuas entre os ministros do STF? Acha que o Congresso acerta em adiar a reforma do Judiciário para 2027? Deixe sua reflexão nos comentários.
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