Goiânia busca acordo com servidor que tem dinheiro a receber
Por Newton Nunes
GoiâniaGoiânia
Órgão aponta irregularidades em todas as unidades de urgência e dá cinco dias para a Prefeitura se explicar.
Por Newton Nunes · 11 de setembro de 2026 às 11:15 · 2 min de leitura

Reprodução / Redes sociais
Buscar socorro em uma unidade de urgência já impõe, por natureza, uma carga extrema de tensão e vulnerabilidade física e emocional. O cidadão não procura uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para consultas de rotina; ele o faz quando a dor é insuportável, a febre não cede ou o peito aperta. No entanto, em Goiânia, a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) para casos urgentes encontra-se sob grave escrutínio. O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) realizou um pente-fino na rede municipal e o diagnóstico é alarmante: foram identificadas irregularidades nas 11 UPAs da capital.
Diante da gravidade e da extensão do problema — que atinge a totalidade da rede de urgência municipal —, a promotoria estipulou um prazo curtíssimo e improrrogável de cinco dias para que a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), manifeste-se oficialmente e apresente medidas concretivas de reparação.
O fato de a apuração do MPGO ter alcançado as 11 unidades (como as UPAs do Novo Mundo, Itaipu, Noroeste, entre outras) evidencia que o problema não é a gestão isolada de um diretor de plantão, mas um estrangulamento sistêmico da máquina pública. Embora o Ministério Público ainda esteja consolidando o detalhamento completo de cada autuação, o histórico recente do atendimento de urgência em Goiânia escancara falhas crônicas que o cidadão enfrenta diariamente:
- Déficit de Profissionais: Faltam médicos plantonistas, especialmente nas escalas de pediatria e clínica médica, o que gera esperas que frequentemente ultrapassam seis ou oito horas na classificação de risco (pulseiras verde e azul);
- Equipamentos Sucateados: É rotineira a interrupção de exames de imagem cruciais, como aparelhos de raio-X e eletrocardiogramas estragados, obrigando a transferência de pacientes infartados ou acidentados para outras unidades;
- Falta de Insumos Básicos: A escassez intermitente de medicamentos essenciais, antibióticos, seringas e até materiais de limpeza e higiene compromete a biossegurança dos ambientes hospitalares;
- Superlotação e Retenção de Macas: Sem leitos de retaguarda suficientes nos hospitais de alta complexidade, pacientes graves acabam "internados" improvisadamente nos corredores das UPAs, retendo macas do Samu e travando o fluxo da unidade.
Para o contribuinte de Goiânia, a ação do Ministério Público traduz a voz de quem não aguenta mais sofrer na fila. Quando o assunto é urgência, o tempo é o limite entre o agravamento de um quadro clínico e a sobrevivência.
O prazo de cinco dias dado à prefeitura serve para que a administração pública explique o que sabe e, mais importante, o que pretende fazer. Se a irregularidade é generalizada, espalhando-se pelas 11 unidades, a correção de rota precisa ser igualmente ampla, rápida e eficiente. A saúde não agenda horário e a doença não respeita licitação atrasada. A população goianiense aguarda respostas acompanhadas de soluções concretas e orçamento na mesa, não de notas oficiais vazias e promessas adiadas. O espaço para a defesa da administração municipal segue aberto, mas o julgamento de quem amarga a fila já foi feito.
💬 Participe do debate:
Você ou alguém da sua família precisou de atendimento recente em alguma UPA de Goiânia? Como foi a experiência e o tempo de espera? Deixe o seu relato nos comentários.
Por Newton Nunes
Por Newton Nunes