Networking de milhões: como redes estruturadas movimentam o mercado em Goiás
Por Newton Nunes
EmpreendedorismoGoiânia
Sob o comando de Marcos R. Martins, modelo de negócios do BNI transforma meros apertos de mão em alianças estratégicas e converte parceiros de negócios na maior e mais leal equipe comercial que um empresário pode ter.
Por Sandra Bernardes · 15 de agosto de 2026 às 21:43 · 4 min de leitura

Encontro semanal BNI Esmeralda / Divulgação Stock TN

Marcos Martins CEO BNI Brasil / Reprodução
Quem anda pelas ruas do comércio em Goiânia, frequenta os cafés do Setor Marista ou circula pelos polos industriais de Aparecida sabe bem: o goiano é um negociador nato, caloroso e bom de prosa. Mas há uma linha muito tênue entre ser simpático e realmente saber construir uma rede profissional que gere resultados sustentáveis. Durante muito tempo, vendeu-se a ideia equivocada de que networking era apenas distribuir cartões aos montes ou empurrar produtos no primeiro aperto de mão.
Quem desconstrói essa armadilha com precisão cirúrgica é Marcos R. Martins, liderança do BNI (Business Network International). Em recente reflexão, o especialista pontua que a verdadeira força de uma rede de contatos reside em relacionamentos genuínos e em uma metodologia clara de quatro pilares: Construir, Educar, Motivar e Ativar.
Como jornalista que acompanha diariamente a luta dos pequenos e médios empresários para manter as portas abertas e as contas em dia, vejo nessa filosofia um divisor de águas. Trata-se de abandonar o desespero da venda transacional e imediata para colher os frutos de uma aliança transformacional.
A lógica apresentada por Marcos Martins expõe por que tantas iniciativas individuais morrem na praia: a ansiedade em pular etapas. A estrutura defendida pelo especialista do BNI funciona como uma engrenagem contínua:
- Construir com intenção: Trocar a pergunta utilitarista "O que posso conseguir com você?" por "Quem é você e como pensa?". O foco deixa de ser o fechamento rápido e passa a ser a curiosidade sobre o ecossistema do outro.
- Educar com clareza: Não adianta ter um bom serviço se o seu parceiro não consegue explicar o que você faz em duas frases simples. Clareza gera confiança, e a simplicidade é o combustível da indicação.
- Motivar pelas relações: A recomendação espontânea não surge sob pressão, mas sim da gratidão e do cultivo. Quando você ajuda o negócio do seu colega a prosperar, você ganha um defensor leal da sua marca.
- Ativar com confiança: Quando a base foi bem cuidada, pedir uma indicação ou uma ponte com um cliente estratégico torna-se um passo orgânico, sem constrangimentos.
Essa mudança de mentalidade não ficou restrita aos manuais de gestão; ela tem transformado a realidade de empresários locais que decidiram deixar o isolamento comercial.
Em Goiás, onde o mercado frequentemente se apoiava em laços informais ou no mero "boca a boca" desestruturado, a aplicação prática desse método tem salvado empresas da estagnação:
Da guerra de preços à autoridade de mercado: Prestadores de serviços nas áreas jurídica, contábil e de tecnologia em Goiânia relatam que, antes de entenderem o papel de "educar a rede", precisavam disputar clientes pelo menor orçamento em anúncios digitais. Ao ensinarem parceiros de outros segmentos a identificar clientes com o perfil ideal, passaram a receber contratos qualificados sem a necessidade de concessão predatória de descontos.
Superação de crises e diversificação de público: No polo confeccionista e industrial da Região Metropolitana, pequenos industriais que dependiam exclusivamente de intermediários conseguiram abrir novos canais de fornecimento corporativo após serem "ativados" por conexões multidisciplinares — que incluíam desde arquitetos comerciais até consultores de logística.
A rede como equipe de vendas voluntária: Ao aplicarem o princípio de "motivar pelo relacionamento", empreendedores goianos deixaram de carregar sozinhos o fardo da captação diária. A rede de contatos passou a atuar como um verdadeiro time comercial externo, compartilhando valor e gerando negócios com base na reputação construída ao longo dos meses.
Em um cenário econômico desafiador, a lição central trazida por Marcos Martins serve como um alerta necessário para quem empreende no Centro-Oeste: o isolamento é o caminho mais rápido para o esgotamento.
Quando o empresário compreende que o seu crescimento está atrelado à capacidade de gerar valor real para quem está ao seu lado, o ambiente de negócios deixa de ser uma selva de concorrência cega e passa a ser uma comunidade de apoio mútuo. Afinal, como resume a diretriz do método, quando a rede trabalha alinhada, você não precisa mais forçar vendas: seus parceiros tornam-se a extensão natural da sua voz.
Por Newton Nunes
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