O tabuleiro febril de 2026: a pressa dos parlamentares e o racha nos palanques
Por Fred Kidman
PolíticaGoiânia
Enquanto investimentos estaduais crescem 12,5% e inteligência artificial soluciona casos, a barbárie isolada ainda desafia as estatísticas de paz.
Por Fred Kidman · 6 de agosto de 2026 às 21:35 · 4 min de leitura

Divulgação / Comunicação PMGO

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No tabuleiro da segurança pública em Goiás, as estatísticas recentes desenham um cenário de aparente calmaria que desafia a velha sensação de vulnerabilidade do cidadão comum. Com um incremento de 12,5% nos investimentos estaduais no setor, o estado registrou uma queda de quase 30% nos roubos ao longo de 2025, consolidando-se ainda com a menor taxa de assaltos a comércios de toda a federação. Esse avanço, financiado diretamente pelos impostos de quem acorda cedo para trabalhar, tenta equilibrar a balança entre a propaganda governamental e as dores reais que ainda mancham o asfalto.
Como um velho repórter que já viu o asfalto tremer sob o peso de crises profundas e já contou moedas para fechar o mês na juventude, sei bem que números não consolam viúvas nem trazem filhos de volta. A história nos ensina que a paz estatística é um vidro frágil. No entanto, ignorar o recuo consistente dos índices criminais seria uma injustiça com os homens e mulheres que patrulham nossas ruas diuturnamente.
O recente levantamento de segurança expõe um recuo dramático: a redução de quase um terço nos crimes de roubo em território goiano. O comércio local, historicamente o alvo mais frágil da pirataria urbana, respira com o menor índice de assaltos do Brasil. Para o pequeno comerciante que vive no limite do orçamento, essa estatística representa a diferença crucial entre manter as portas abertas ou sucumbir à falência forçada pelo medo.
Mas a crônica policial não se escreve apenas com planilhas de Excel. Enquanto o governo celebra as metas batidas, tragédias de uma violência medieval continuam a chocar a opinião pública. Recentemente, a revelação de que um pai teria encomendado a morte do próprio filho por uma dívida de 15 mil reais mostra que o submundo da barbárie opera em uma frequência imune aos gráficos oficiais.
Há também o drama silencioso e devastador das vítimas colaterais da violência extrema. A dor de uma família que encontrou as malas prontas de uma jovem de dezoito anos morta em uma chacina é o lembrete cruel de que, para além dos recuos estatísticos, a vida humana na periferia social ainda é um sopro interrompido por decisões brutais de tribunais clandestinos.
Para além do patrulhamento ostensivo tradicional, a segurança pública goiana decidiu apostar fichas na modernidade fria dos códigos binários. A implementação da ferramenta "IA Contra o Crime" tem se mostrado um divisor de águas tecnológico. Em apenas cinco meses de operação no primeiro semestre de 2026, a inteligência artificial ajudou as forças policiais a esclarecerem mais de 1,4 mil ocorrências criminais no estado.
O uso de algoritmos para cruzar dados de inteligência e mapear padrões de comportamento criminoso representa um salto qualitativo. Não se trata de uma ficção científica distante, mas de uma ferramenta prática que acelera investigações que antes mofavam em gavetas policiais por falta de pessoal ou de tecnologia adequada. Para o cidadão que financia essa estrutura, ver a tecnologia trabalhando para desvendar assassinatos traz um vislumbre de justiça em tempo real.
Na arena política, o discurso de tolerância zero encontra terreno fértil na voz do ex-governador Ronaldo Caiado. Com a máxima de que "bandido aqui não se cria", a gestão estadual capitaliza politicamente a redução dos índices de criminalidade, apresentando Goiás como um modelo de segurança a ser replicado nacionalmente em meio às articulações para o cenário de 2026.
Essa narrativa de punho de ferro, embora contestada por setores acadêmicos que alertam para os riscos de excessos policiais, encontra forte eco na população exausta da delinquência cotidiana. O aumento de 12,5% no orçamento da segurança pública legitima, aos olhos do eleitorado, a tese de que a asfixia financeira e operacional do crime organizado é o único caminho viável.
O desafio de Goiás, portanto, reside em manter a trajetória de queda nos roubos sem perder de vista o respeito aos direitos fundamentais. A segurança de ferro não pode se tornar uma armadura que esmaga os inocentes. Como jornalista, sigo vigilante: os números festejados hoje nos palácios não podem apagar as perguntas difíceis que as ruas continuam a nos fazer amanhã.
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Por Ricardo Camargo