O tabuleiro febril de 2026: a pressa dos parlamentares e o racha nos palanques
Por Fred Kidman
PolíticaGoiânia
Convenção oficializa Wilder Morais e Ana Paula Rezende na disputa pelo governo, unindo o PIB do agro à mística do maior líder popular do estado.
Por Fred Kidman · 6 de agosto de 2026 às 21:44 · 4 min de leitura

Convenção do PL confirma Wilder e Ana Paula - Reprodução / Partido Liberal

Reprodução / Redes sociais
No fechar das cortinas das convenções partidárias em Goiânia, entre os dias 3 e 4 de agosto de 2026, a engrenagem partidária oficializou a chapa de Wilder Morais ao Governo de Goiás, trazendo a tiracolo Ana Paula Rezende como candidata a vice-governadora. Para o cidadão comum, que batalha diariamente no transporte público e vê o salário encolher antes do fim do mês, o anúncio é muito mais do que um arranjo de gabinete. Trata-se do desenho de forças que ditará o destino do erário público e dos serviços essenciais, financiado por um fundo eleitoral bilionário que custará aos cofres públicos.
Não há como analisar o tabuleiro político goiano sem esbarrar nos personagens que moldaram a nossa história. A escolha de Ana Paula Rezende para compor a chapa não é um mero acaso geográfico ou simpatia de bastidores. É uma tentativa clara e cirúrgica de resgatar o pragmatismo e a mística de uma era onde a política estadual se fazia no corpo a corpo, nas frentes de mutirão que construíram a Goiânia moderna sob a liderança de seu pai, Iris Rezende.
A filiação de Ana Paula, costurada ainda no início do ano sob as bênçãos de caciques nacionais, mostra que o pragmatismo muitas vezes engole as diferenças ideológicas. Wilder Morais, empresário de forte trânsito no agronegócio, busca na herança carismática da família Rezende o passaporte para o coração das classes populares, historicamente mais distantes da elite empresarial.
Para quem vive nas periferias de Aparecida de Goiânia ou nos municípios mais distantes do interior, a pergunta que fica é se essa fusão entre a força do capital e o tradicionalismo de sobrenome trará soluções reais para as filas do Ipasgo ou se será apenas mais um teatro de aparências financiado com dinheiro público.
A costura dessa chapa não se deu apenas nos palácios locais. A presença de figuras exponenciais da política nacional em eventos prévios de lançamento, como o senador Flávio Bolsonaro e o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, deixa claro que Goiás é peça-chave em um xadrez nacional muito maior e mais complexo.
Toda essa movimentação de jatos particulares, segurança reforçada e grandes palcos de convenção tem um custo invisível, mas real. Embora os partidos políticos defendam que esses eventos são a festa da democracia, a realidade crua é que a fatura final de cada campanha de grande porte é dividida por todos os pagadores de impostos do estado.
O cidadão goiano, que hoje lida com tarifas de energia elevadas e impostos sobre o consumo que corroem o carrinho do supermercado, assiste à consolidação de uma candidatura que promete desenvolvimento, mas cuja viabilidade futura depende de acordos fechados a portas fechadas em Brasília.
Como jornalista que já viu governos ascenderem e caírem sob o peso de suas próprias contradições econômicas, recuso-me a aceitar promessas fáceis. O desafio do próximo governo goiano será monumental: equilibrar as contas públicas em meio ao Regime de Recuperação Fiscal sem estrangular o funcionalismo e os serviços básicos de saúde, educação e segurança.
A chapa recém-oficializada se apresenta como a união da eficiência empresarial com a sensibilidade social da velha guarda. É um discurso bonito, sob medida para marqueteiros pagos a peso de ouro. No entanto, o julgamento real caberá ao eleitor, que precisa exigir propostas concretas para o bolso de quem vive contando trocado e não apenas discursos inflamados em palanques luxuosos.
A caminhada rumo às urnas começou oficialmente neste período de convenções. Cabe a nós, que pagamos a conta de cada santinho e de cada inserção de rádio e TV, manter os olhos bem abertos sobre quem de fato pagará o preço das decisões tomadas nesses luxuosos salões de convenção.
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Por Ricardo Camargo