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Por Ricardo Camargo
PolíticaGoiânia
Gestão municipal aponta avanço na rede, mas a falta de 9,5% dos medicamentos impõe desafios críticos à rotina das famílias.
Por Ricardo Camargo · 30 de julho de 2026 às 21:23 · 3 min de leitura

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A Prefeitura de Goiânia informou que a rede municipal de saúde atingiu 90,5% de cobertura no abastecimento de medicamentos. O dado, apresentado como um progresso na logística da assistência farmacêutica local, requer uma análise criteriosa: os 9,5% restantes representam uma lacuna que impacta diretamente a rotina dos cidadãos que dependem da rede pública.
Na prática administrativa, números absolutos são balizadores essenciais, mas, quando transpostos para o atendimento ao público, a percepção muda. Para uma família que busca o posto de saúde, a eficiência de um sistema não se mede pela média aritmética, mas pela disponibilidade do item necessário no momento da prescrição. A falta de um único medicamento de uso contínuo, por exemplo, pode comprometer a continuidade de um tratamento e, consequentemente, elevar a pressão sobre outros setores da saúde.
O ponto central para a fiscalização deste índice reside na clareza. É imperativo que a Secretaria Municipal de Saúde detalhe quais substâncias compõem essa fatia faltante. Sem a discriminação desses itens, médicos e pacientes ficam impossibilitados de traçar alternativas, gerando uma incerteza que desestabiliza o planejamento terapêutico de quem busca o serviço público.
O papel da gestão é transformar recursos em assistência efetiva. Se, por um lado, o índice de 90,5% indica um movimento de reposição, por outro, ele escancara que o ciclo de abastecimento ainda não atende à integralidade da demanda. O objetivo de qualquer administração pública, pautada pela eficiência, deve ser a regularização completa do estoque. Enquanto houver prateleiras vazias, a estatística permanecerá como um dado parcial, ainda distante da solução plena para o cidadão que, na ponta da linha, lida com a realidade da falta de insumos.
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