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Ciência e TecnologiaGoiânia

Amor artificial: quase metade dos brasileiros já prefere robôs a humanos

Pesquisa revela que a inteligência artificial virou o novo ombro amigo de quem está cansado de lidar com o estresse das relações reais.

Por Newton Nunes · 12 de agosto de 2026 às 14:00 · 2 min de leitura

Amor artificial: quase metade dos brasileiros já prefere robôs a humanos

Reprodução / Redes sociais

Se você já pegou o Eixo Anhanguera em horário de pico, sabe que a paciência do goianiense é um recurso escasso. Talvez por isso uma pesquisa inédita divulgada este mês pela CNN Brasil em parceria com o Instituto Locomotiva tenha revelado um dado sintomático sobre a nossa solidão moderna: 40% dos brasileiros — quase metade da população — admitem que preferem conversar com uma Inteligência Artificial do que com um ser humano de carne, osso e boletos para pagar.

Olhando friamente, a escolha faz todo sentido. O robô do celular não vai te pedir dinheiro emprestado, não vai reclamar do preço da gasolina e, acima de tudo, jamais vai te mandar um áudio de cinco minutos no WhatsApp em velocidade normal. Em tempos de conexões líquidas e estresse acumulado, o algoritmo virou o psicólogo de quem não tem tempo ou dinheiro para a terapia.

O desabafo nosso de cada dia

O estudo aponta um indicador ainda mais surpreendente: 58% dos entrevistados afirmaram que se sentem mais compreendidos pela inteligência artificial do que por pessoas próximas, e quase um terço dos participantes revelou já ter chorado ou se emocionado durante uma conversa com a tecnologia. A pesquisa detalha que as mulheres relataram se sentir mais acolhidas emocionalmente pelos chatbots, enquanto os homens apresentaram maior taxa na preferência por conversar com a IA do que com amigos e familiares. Os jovens lideram como a faixa etária mais aberta a adotar a máquina como um confidente de rotina.

Trata-se de um desabafo rápido antes de dormir ou de um conselho de carreira pedido na hora do almoço. Para quem vive na correria entre o trabalho e as tarefas de casa, encontrar um "confidente" que está sempre disponível e nunca responde com grosseria virou a saída mais prática.

Claro que a Inteligência Artificial não vai resolver seus problemas reais, muito menos pagar a conta de energia que só sobe. Mas, enquanto a vida real segue exigindo jogo de cintura, tem muita gente preferindo o calor artificial de uma tela ao cansaço de ter que socializar depois de um dia cheio. Se a moda pegar de vez em Goiânia, a tradicional conversa fiada na feira de domingo ou no balcão da padaria corre o risco de virar item de museu.

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