R$ 300 Milhões em Algoritmos e Tijolo: Goiás Lança Megaprojeto de Inteligência Artificial
Por Newton Nunes
Ciência e TecnologiaGoiânia
Golpistas usam personagens fictícios gerados por computador para empurrar falsas curas e tratamentos milagrosos na internet.
Por Newton Nunes · 23 de agosto de 2026 às 20:42 · 2 min de leitura

Médicos criados por inteligência artificial / Reprodução Redes sociais
Se você achava que o maior perigo da Inteligência Artificial seria a ficção científica de robôs dominando o planeta, prepare-se para a realidade crua do ambiente digital brasileiro: a ameaça do momento atende por avatares hiper-realistas, terapeutas holísticos sintéticos e falsos doutores. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu o sinal vermelho contra uma proliferação em escala industrial de golpes digitais na área da saúde.
O esquema combina ferramentas avançadas de geração de imagem, síntese de voz e deepfakes para criar personagens que simplesmente não existem no mundo real ou usurpar a imagem de autoridades médicas e comunicadores de renome.
A mecânica do golpe foi mapeada pelas autoridades sanitárias e por centros de pesquisa digital. Em levantamento recente conduzido pelo NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ), que analisou 6,5 mil anúncios patrocinados sobre saúde em plataformas de redes sociais, 76% dos conteúdos veiculavam fraudes e alegações irregulares. Organizações de monitoramento apontam que esse ecossistema de vídeos manipulados já acumula mais de 70 milhões de visualizações na internet.
- Gurus e Xamãs Fictícios com E-books: Criação de perfis automatizados que reúnem centenas de milhares de seguidores — como o caso identificado pela Anvisa de uma suposta indígena criada por IA com mais de 600 mil seguidores — promovendo e-books com promessas de erradicação de parasitas ou tratamentos sem qualquer respaldo da ciência;
- Deepfakes e Falsos Especialistas: Simulação de profissionais de saúde em jalecos brancos ou manipulação da voz e imagem de médicos reais conhecidos do grande público, como Dr. Drauzio Varella, para conferir falsa credibilidade;
- Venda Casada Clandestina: Comercialização de suplementos sem registro sanitário vinculados a manuais digitais, prometendo cura ou reversão mágica de condições crônicas, como diabetes, câncer e hipertensão.
O perigo dessas fraudes ultrapassa em muito o prejuízo financeiro. A vigilância sanitária alerta que o dano mais severo ocorre quando pacientes diagnosticados com patologias graves interrompem tratamentos oncológicos, quimioterápicos ou medicamentos de uso contínuo para aderir a fórmulas mágicas recomendadas por figuras virtuais.
Conforme determina a regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM), todo profissional de saúde que publica orientações nas redes deve exibir obrigatoriamente seu nome completo, registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
A Anvisa reforça que suplementos alimentares são voltados a indivíduos saudáveis e não possuem, perante a lei, autorização para alegar poder curativo ou preventivo. Medicamentos no Brasil só podem ser comercializados em farmácias e drogarias devidamente licenciadas pelos órgãos de vigilância sanitária.
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