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PolíticaAparecida de Goiânia

Aparecida de Goiânia vai passar o trator em lote baldio e cobrar a conta

Prefeitura quer multar donos de terrenos abandonados com mato alto e lixo, mas o desafio real vai ser dar conta de 60 mil imóveis.

Por Newton Nunes · 25 de julho de 2026 às 19:38 · 3 min de leitura

Aparecida de Goiânia vai passar o trator em lote baldio e cobrar a conta

Rodrigo Estrella

A famosa novela dos lotes baldios ganhou um capítulo prático em Aparecida de Goiânia. Com a Portaria nº 06/2026, a prefeitura agora tem aval para entrar em terrenos particulares que não tenham muro ou calçada, passar o trator e mandar o boleto do serviço direto para a casa do dono. É a tentativa do poder público de estancar uma dor de cabeça antiga que mistura mato alto, criadouros de bichos indesejados e descarte irregular de entulho.

Para quem paga IPTU em dia e mora do lado de um terreno que virou depósito de lixo, a medida soa como justiça básica. Mas, como diria qualquer um que já tentou resolver burocracia estatal, entre a intenção no papel e o trator na rua há um abismo considerável.

A conta da limpeza e o mar de 60 mil terrenos

Pelas regras do jogo, limpar um lote padrão de 360 metros quadrados vai sair por aproximadamente R$ 525, valor calculado com base na Unidade de Valor Fiscal do município (R$ 1,46 por metro quadrado). O detalhe pitoresco — ou aterrorizante, dependendo do seu nível de paciência — é que estamos falando de mais de 60 mil lotes não edificados espalhados pela cidade. A matemática é curiosa: assusta tanto pelo potencial de arrecadação quanto pelo tamanho do gargalo para dar conta de tudo.

O secretário de Planejamento e Regulação Urbana, Andrey Azeredo, defende que a norma traz transparência e segurança jurídica. No papel, o argumento cola, afinal a obrigação de manter o terreno limpo é de quem comprou e é dono. Mas a grande questão para o contribuinte que convive com o matagal na janela é outra: a prefeitura tem pernas para fiscalizar essa imensidão toda ou a portaria vai virar daquelas leis que funcionam só para inglês ver?

Afinal, usar a máquina pública para tapar o buraco deixado pelo proprietário relicto resolve o fogo cruzado da saúde pública, mas não pode virar desculpa para a falta de fiscalização preventiva.

Seguiremos acompanhando para ver se o trator realmente vai aparecer nos bairros mais críticos ou se a única coisa que vai circular de verdade é o boleto na praça.

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