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Por Ricardo Camargo
GoiâniaBom Jesus de Goiás, GO
Um papel judicial não conteve a fúria do assassino de uma professora de 41 anos, morta na saída de um culto religioso.
Por Fred Kidman · 25 de julho de 2026 às 19:57 · 3 min de leitura

Reprodução / Redes sociais
Na noite de segunda-feira, a saída de um culto na histórica Igreja São Sebastião, no Bairro Olímpia, em Bom Jesus de Goiás, transformou-se no cenário de uma execução covarde. A professora da rede municipal Valdirene Vaz Clemente, de 41 anos, foi friamente assassinada com tiros nas costas e na nuca por seu ex-marido, Vanderlei Joaquim de Souza, de 45 anos, que não aceitava o fim do relacionamento.
Desde a Antiguidade, os templos religiosos eram respeitados como refúgios invioláveis, zonas de paz onde até os piores inimigos encontravam trégua. Em pleno ano de 2026, contudo, esse código moral ancestral foi estilhaçado no solo goiano. Uma educadora dedicada, mãe de dois filhos, teve sua vida ceifada por quem se julgava dono de sua existência e de seu destino.
A emboscada foi planejada. Escondido na escuridão, o agressor aguardou o término da celebração religiosa para desferir ao menos três disparos contra Valdirene, que não teve qualquer chance de esboçar defesa. Diante de testemunhas em choque, Vanderlei atirou contra a própria cabeça logo em seguida e morreu no local. A professora chegou a ser socorrida pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital.
O que torna essa tragédia ainda mais revoltante é que o Estado já havia sido alertado. Valdirene possuía uma medida protetiva de urgência ativa, e o criminoso já respondia a uma ação penal por ameaça e lesão corporal. Diante da determinação cega de um assassino, a ordem judicial provou-se um pedaço de papel impotente.
O delegado responsável pelo caso ponderou sobre as limitações institucionais, destacando que as forças policiais cumprem ritos distintos e que uma medida protetiva não se traduz em escolta individual de 24 horas. Mas para quem fica, a burocracia dos manuais oficiais não consola a perda nem justifica por que a lei costuma chegar atrasada.
A morte de Valdirene não é um fato isolado, mas a 44ª página de um diário de horror escrito em Goiás apenas neste ano de 2026. A barbárie caminha a passos largos pelo estado, tendo registrado, poucos dias antes, outra vítima de feminicídio em Itumbiara, assassinada de forma brutal diante das próprias filhas.
Ao longo de décadas de jornalismo, cobrindo as páginas mais sombrias da segurança pública, recuso-me a tratar essas tragédias como estatísticas inevitáveis. Enquanto o fim de um casamento continuar sendo carimbado com o óbito da mulher e as barreiras legais falharem em conter os covardes, nossa sociedade continuará falhando miseravelmente com suas mães, filhas e educadoras.
Por Ricardo Camargo
Por Newton Nunes
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