Terminais de Goiânia podem ganhar nomes de times de futebol
Por Fred Kidman
PolíticaGoiânia
Governador adota tom duro, tenta atrair voto feminino e usa vitrine de Goiás para se contrapor a adversários nacionais.
Por Sandra Bernardes · 17 de agosto de 2026 às 13:51 · 4 min de leitura

Caiando inicia campanha para presidente / Agência Fotonotícia/Flickr
Quem acompanha os bastidores da política sabe: o discurso de palanque vai muito além do pedido de votos; ele sinaliza a postura ética e o modelo de Estado que se pretende entregar ao cidadão. E quando a largada de uma corrida eleitoral se dá em meio a um ambiente de forte polarização e gastos vultosos de recursos públicos, a cobrança do contribuinte precisa ser imediata e incisiva.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, abriu oficialmente sua campanha presidencial nesta segunda-feira (17 de agosto de 2026) com carreatas e uma plataforma fincada em dois pilares: o endurecimento na segurança pública e o confronto direto aos dois polos da disputa nacional. Em Goiânia, Caiado transformou os índices de segurança goianos em sua principal vitrine, atacando simultaneamente a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disputando o protagonismo do eleitorado conservador com o senador Flávio Bolsonaro.
O tom adotado por Caiado na largada de sua campanha busca explorar a autoridade moral e a conduta institucional. Ao comentar as gestões do Partido dos Trabalhadores e as narrativas sobre escândalos do passado, o candidato goiano colocou o dedo na ferida da liturgia do cargo máximo do país:
"Você não é pessoa física. Você é presidente da República, você é pessoa jurídica. Está representando 215 milhões de pessoas, mesmo que a pessoa não tenha votado nele, nem eu. Mas a Presidência representa o país. Você não pode ter uma resposta simplória, provocativa, que agride as pessoas de bem... sabendo que aquilo ali é propina que está sendo dada e dizendo: 'Ah, mas quem é que nunca tomou um dinheiro emprestado?'"
Para Caiado, relativizar casos controversos — como o tríplex, o sítio e a evolução patrimonial de familiares — representa um desserviço que corrói a ética pública. O governador alerta que a normalização do desvio desvaloriza o esforço diário do trabalhador honesto e empurra parcelas vulneráveis da juventude para a clandestinidade e as apostas predatórias. Sustentando seu histórico na medicina e na vida pública, o goiano afirma ter o lastro necessário para fazer essa cobrança no debate nacional.
No tabuleiro prático da disputa, a campanha adota uma postura de enfrentamento calculada. Além de criticar a política de segurança do governo federal e as declarações diplomáticas do Planalto em relação ao cenário internacional, Caiado não recuou no embate com o campo bolsonarista, mantendo provocações públicas contra Flávio Bolsonaro para marcar território como a alternativa de pulso firme da direita.
Essa postura combativa tem impulsionado a presença do candidato nas redes sociais e busca dialogar especialmente com o eleitorado feminino, historicamente atento a pautas de proteção familiar e ordem pública.
No entanto, o xadrez para viabilizar uma terceira via competitiva enfrenta barreiras consolidadas, com legendas do bloco central já articulando alianças com a situação federal. A imprensa e a sociedade têm o papel de acompanhar de perto cada movimentação, cobrando que promessas de campanha se sustentem em viabilidade orçamentária e respeito absoluto à integridade pública.
Por Fred Kidman
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Por Pedro Simão