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Com entrada gratuita, monólogo "Cobre do Meu Pai" faz apresentações em Aparecida, Goiânia e Anápolis

Espetáculo de autoficção passa por três cidades goianas em agosto, incluindo Aparecida de Goiânia, com acesso livre para aliviar o bolso do cidadão.

Por Newton Nunes · 15 de agosto de 2026 às 14:55 · 4 min de leitura

Com entrada gratuita, monólogo "Cobre do Meu Pai" faz apresentações em Aparecida, Goiânia e Anápolis

O espetáculo 'Cobre do Meu Pai', estrelado por Hélio Fróes / Foto: Layza Vasconcelos

Com entrada gratuita, monólogo "Cobre do Meu Pai" faz apresentações em Aparecida, Goiânia e Anápolis — imagem secundária

Foto: Layza Vasconcelos

Se tem uma coisa que o brasileiro entende de cor e salteado é de cobrança. Cobramos o escanteio na pelada de fim de semana, cobramos o troco que veio errado na padaria, cobramos o poder público e, claro, os boletos nos cobram de volta todo santo mês. Mas e quando a conta que chega é emocional, daquelas que não dá para parcelar em dez vezes sem juros no cartão? É justamente esse o acerto de contas que o ator e dramaturgo Hélio Fróes propõe em agosto de 2026 com a circulação do espetáculo "Cobre do Meu Pai". Sob a direção refinada e sensível de Fernanda Pimenta, o monólogo de autoficção viaja pelo interior goiano com um detalhe que faz qualquer trabalhador sorrir de orelha a orelha: a entrada é 100% gratuita.

Terapia dramática, perdas e boletos existenciais

A peça marca o retorno de Fróes aos palcos após um hiato de nada menos que 12 anos longe da atuação direta — tempo em que se dedicou à docência, ao audiovisual e enfrentou momentos de profunda transformação pessoal, como a perda do pai para o câncer e a superação do seu próprio diagnóstico da doença. Em "Cobre do Meu Pai", essa travessia vira matéria-prima artística pura. O artista mistura memórias reais e fabulação para costurar uma colcha de retalhos sobre a figura paterna, desconstruindo heróis de infância para falar de ausências, masculinidades, contradições e aquelas conversas difíceis que a gente ensaia a vida inteira no chuveiro, mas nunca tem coragem de ter cara a cara.

No palco, a montagem aposta numa estética minimalista que valoriza o ofício teatral em sua essência mais pura: um tapete circular de couro e um tacho de cobre centenário de cem litros bastam para preencher o espaço cênico. É a partir desse cenário enxuto que o título ganha força, brincando com o metal físico e com o verbo que cobra os tributos do afeto, gerando identificação imediata em qualquer um que já teve uma rusga mal resolvida em família.

Cultura com preço que cabe no bolso (zero reais)

Agora, vamos falar da economia real, que é onde o calo do trabalhador aperta. Em uma época em que o lazer das famílias anda disputado centavo a centavo no orçamento, ter a chance de ver teatro de alta densidade dramatúrgica sem gastar um único tostão de ingresso é um verdadeiro respiro. A iniciativa de rodar o estado de graça democratiza o acesso e reforça que a arte não pode ficar encurralada como artigo de luxo restrito aos grandes centros. Ao todo, o projeto realiza 20 apresentações gratuitas em dez cidades goianas entre julho e outubro, com patrocínio do Supermercado Leve via Programa Goyazes do Governo de Goiás e produção da Dias e Melo Assessoria Cultural.

A etapa de agosto aporta em Aparecida de Goiânia nos dias 14 e 15, às 19h30, no tradicional Teatro Cidade Livre — incluindo uma oficina formativa gratuita de Introdução ao Teatro no dia 15, às 8h30. O circuito segue para Senador Canedo nos dias 21 e 22, às 19h30, na Feira Criativa Morada do Morro, e encerra o mês em Hidrolândia no dia 29, dentro do Festival Hidroencena, no Cine Grimpas. Não é preciso retirar ingressos com antecedência.

O agosto cultural que Goiás merece

Essa circulação reafirma o valor dos espaços comunitários e prova que a formação de plateia se consolida com acolhimento, respeito ao espectador e descentralização verdadeira. Quem vive a correria diária das linhas de ônibus e do trabalho duro também tem o direito inalienável de vivenciar a cena teatral de qualidade na porta de casa.

Se a rotina aperta e o custo de vida pesa, a arte proporciona esse reencontro indispensável com a nossa própria humanidade. Vale a pena vestir uma roupa confortável, convidar a família (inclusive o pai, se os caminhos estiverem abertos) e prestigiar a riqueza cultural do nosso estado. Afinal de contas, essa conta de afeto a gente quita com presença e aplausos.

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