Clécio Alves: Da Escola de Iris Rezende ao Parlamento Estadual
Por Ricardo Camargo
PolíticaBrasília
Evento em Brasília contou com participação remota de líderes estrangeiros e uso de inteligência artificial, gerando reações políticas e questionamentos jurídicos.
Por Fred Kidman · 27 de julho de 2026 às 21:26 · 3 min de leitura

Divulgação / PL

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O xadrez político brasileiro para o pleito de 2026 ganhou contornos ríspidos neste final de semana com a oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Realizado em Brasília, o ato de lançamento não se limitou à formalidade de uma chapa: atraiu os holofotes pela presença de figuras internacionais de peso e pelo uso intensivo de ferramentas tecnológicas para cortejar a base.
Entre as cenas que dominaram o debate público, a presença física do presidente da Argentina, Javier Milei, dividiu espaço com mensagens em vídeo enviadas por outros líderes da direita global, como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O esforço retórico de colar a postulação nacional a um eixo conservador internacional escancarou as apostas da legenda para a corrida que se avizinha.
Se a tecnologia serviu para inflamar o auditório — incluindo a exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial que simulava a participação de Jair Bolsonaro para revigorar o mito familiar —, ela também abriu flancos perigosos. O tom do evento, recheado de músicas com farpas diretas a autoridades do Poder Judiciário, viajou rápido de Brasília para os gabinetes dos tribunais.
A resposta institucional não demorou a bater à porta dos órgãos de controle. O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para destrinchar a exibição do material em IA e a participação das autoridades estrangeiras, apontando o que classifica como arestas fora do figurino eleitoral.
Enquanto o topo da pirâmide tenta se viabilizar em meio aos primeiros radares da Justiça Eleitoral, os porões partidários trabalham para costurar palanques regionais que evitem o esvaziamento da sigla. Nos bastidores, o PL empurra a tese de candidatura própria ao governo de Minas Gerais, sinalizando que a disputa exigirá sangue frio nas negociações dos maiores colégios eleitorais do país.
A arrancada de Flávio Bolsonaro expõe a crueza do atual ciclo: de um lado, o apelo visceral aos símbolos tradicionais de uma direita que não arreda pé; do outro, o funil implacável das normas de fiscalização. Nos próximos capítulos, a sobrevivência dessa candidatura vai depender menos do gogó dos palanques e muito mais da engenharia para gerenciar riscos jurídicos sem implodir alianças.
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