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PolíticaGoiânia
Definição de vice após meses de fritura e pressão nos bastidores expõe acomodação de forças políticas na chapa governista.
Por Sandra Bernardes · 5 de agosto de 2026 às 14:22 · 4 min de leitura

Divulgação / PSD

Reprodução / Redes sociais
A engrenagem política que movimenta a Praça Cívica e o Palácio das Esmeraldas vive momentos de alta voltagem nas horas que antecedem a oficialização das chapas majoritárias. Nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026, com convenção partidária marcada para as 15h, a base governista se prepara para formalizar a candidatura do governador Daniel Vilela (MDB) à reeleição. A grande expectativa, no entanto, foi antecipada nos bastidores das redes digitais e dos portais de notícias: a definição do ex-senador Luiz Carlos do Carmo como companheiro de chapa na vaga de vice-governador.
A escolha encerra um longo e barulhento processo de pressão e especulações nos gabinetes, mas abre uma pergunta urgente para o eleitor goiano: essa aliança atende às reais necessidades do cidadão ou é apenas mais um arranjo eleitoral desenhado para acomodar forças partidárias?
Como jornalista, meu papel é questionar os bastidores antes e depois dos discursos oficiais de palanque. O cidadão comum, que batalha diariamente para pagar as contas e depende de serviços essenciais, merece compreender o impacto real dessa engenharia política. Afinal, a definição de quem ocupará a vice-governadoria dita os rumos de áreas críticas como saúde, segurança e infraestrutura para os próximos quatro anos.
A indicação do vice não foi um processo pacífico. Até a confirmação de Luiz do Carmo, a base aliada liderada por Daniel Vilela e respaldada pelo ex-governador Ronaldo Caiado enfrentou meses de disputas internas. Nomes de peso figuravam na bolsa de apostas, entre eles o ex-secretário Adriano da Rocha Lima e o presidente licenciado da Faeg, José Mário Schreiner.
A virada de chave decisiva ocorreu nas últimas semanas, impulsionada por uma forte e coordenada ofensiva do segmento evangélico, com destaque para a liderança de bispos da Convenção das Assembleias de Deus (Ministério Madureira). Ao garantir a vaga para Luiz do Carmo, o MDB e o PSD buscam blindar o eleitorado conservador e cristalizar o apoio das grandes denominações religiosas no estado.
Daniel Vilela (MDB): 37% das intenções de voto
Marconi Perillo (PSDB): 21% das intenções de voto
Wilder Morais (PL): 11% das intenções de voto
Luis Cesar Bueno (PT): 3% das intenções de voto
Embora Daniel Vilela apareça na liderança dos levantamentos gerais, os analistas políticos apontam o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) como seu adversário mais experiente e perigoso na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. Com a bagagem de ter governado o estado por quatro mandatos, Marconi mantém um capital político consolidado, apresentando forte musculatura eleitoral no interior de Goiás e uma rede capilarizada de lideranças municipais.
A opção por Luiz do Carmo na vice serve exatamente como uma vacina tática da base governista contra as investidas de Marconi Perillo nos municípios do interior, além de conter a dispersão de votos para a candidatura do senador Wilder Morais (PL) junto ao eleitorado de direita.
A partir das 15h de hoje, no ato oficial do MDB e partidos aliados, a pré-candidatura ganha contornos formais com o discurso de unidade da base. No entanto, para o trabalhador que assiste aos atos políticos, o parâmetro de avaliação continuará sendo a capacidade de entrega de resultados práticos.
Alianças amarradas a portas fechadas costumam cobrar seu preço na composição do futuro secretariado e na distribuição de cargos estaduais. O desafio de Daniel Vilela e Luiz do Carmo será provar que a união de forças vai além dos cálculos de convenção e se traduzirá em melhorias reais para a população goiana.
Por Ricardo Camargo
Por Sandra Bernardes
Por Pedro Simão