Vilmar Mariano desiste de candidatura à Alego e articula vaga de vice com Marconi Perillo
Por Ricardo Camargo
PolíticaGoiânia
Levantamento aponta herdeiro político de Ronaldo Caiado com 37% das intenções de voto, seguido por Marconi Perillo com 21% em cenário de primeiro turno.
Por Newton Nunes · 7 de agosto de 2026 às 23:29 · 3 min de leitura

Daniel Vilela e Marconi Perillo / Reprodução
Com as convenções partidárias já devidamente realizadas e o goiano tentando fechar as contas do mês entre o preço da gasolina e o boleto do IPVA, o cenário eleitoral ganhou contornos definitivos. A primeira grande pesquisa Quaest para o governo de Goiás, divulgada no final de julho (30/07), mostra que Daniel Vilela abriu vantagem na liderança, com 37% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo ex-governador Marconi Perillo, que aparece com 21%.
O levantamento joga luz sobre o destino do Palácio das Esmeraldas e, consequentemente, sobre quem vai gerir o orçamento estadual bilionário nos próximos quatro anos — um montante que sai diretamente do bolso de cada contribuinte por meio de impostos. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número GO-01701/2026.
Para quem acompanha a política local sem paixões cegas, o resultado não chega a ser uma reviravolta digna de novela das nove. Daniel Vilela, atual vice-governador e herdeiro natural do espólio político de Ronaldo Caiado, colhe os frutos de uma máquina estadual bem lubrificada e de uma avaliação de governo que se mantém resiliente, com 64% de aprovação. Vilela lidera não apenas os cenários de primeiro turno, mas também as simulações de segundo turno, tendência que já vinha sendo apontada por outras sondagens, como a do instituto Real Time Big Data no início daquele mês.
Caiado, que prepara terreno para disputas em nível nacional como pré-candidato à Presidência da República, conseguiu transferir uma parcela robusta de seu eleitorado para seu afilhado político. Para o cidadão comum, que se preocupa menos com siglas e mais com o tempo de espera nas Unidades Básicas de Saúde e nos Centros de Atendimento Integral à Saúde (CAIS) — apontando a saúde e a segurança pública como as maiores preocupações no levantamento — ou com a segurança na porta de casa, o favoritismo de Vilela representa uma clara aposta do eleitorado na continuidade do modelo atual de gestão pública.
Do outro lado do ringue, o ex-governador Marconi Perillo ressurge com seus 21%, mostrando que ainda mantém um recall eleitoral forte no estado. No entanto, a distância de 16 pontos percentuais para o líder impõe ao tucano o desafio imediato de furar a bolha, especialmente pelo fato de registrar a maior rejeição entre os candidatos, alcançando 46%.
O cenário goiano ainda chama a atenção de analistas por apresentar uma disputa onde a terceira via busca espaço. Enquanto a polarização tradicional ameaça engolir o debate na maioria das regiões, por aqui nomes alternativos tentam se viabilizar no vácuo deixado pelos dois principais favoritos, liderados pelo senador Wilder Morais (PL), que aparece em terceiro lugar com 11%, seguido por Luis Cesar Bueno (PT) com 3%, Cíntia Dias (PSOL) com 1% e Luciana Amorim (UP) com 0%. Para quem está cansado das velhas rivalidades, essa avenida do meio sempre parece atraente, embora a corrida contra o tempo já tenha começado agora que o ciclo de convenções foi concluído.
Como jornalista que já andou muito de ônibus por Goiânia e ainda monitora o preço do etanol no painel dos postos para ajudar nas contas de casa, sei que o eleitor médio das classes B, C e D quer saber de resultado prático. Pesquisa eleitoral é fotografia de momento, mas o filme que o trabalhador assiste todo dia envolve transporte público de qualidade na Região Metropolitana, a batalha por emprego e a eterna promessa de industrialização do interior.
O próximo governador terá em mãos a chave de um cofre abastecido pelo suor do contribuinte goiano. A discussão real que precisamos fazer nas próximas semanas é como esse dinheiro vai voltar para o asfalto que não rasga pneu, para a escola em tempo integral e para a redução das filas nos hospitais. Com a largada oficial da campanha marcada para 16 de agosto, o eleitor tem pouco tempo para analisar se as propostas apresentadas cabem no orçamento real ou se são apenas mais um roteiro de ficção bem ensaiado.
Por Ricardo Camargo
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