Viatura da Polícia Penal capota na BR-153 após colisão
Por Ricardo Camargo
GoiâniaGoiânia
Mudança anunciada para abrigar Hospital da Mulher gera dúvidas sobre como ficará o socorro a pacientes de trauma em Goiânia.
Por Sandra Bernardes · 19 de agosto de 2026 às 16:02 · 2 min de leitura

Reprodução / Redes sociais

Reprodução / Redes sociais
O destino da estrutura do Hospital Estadual de Urgências de Goiânia Dr. Valdemiro Cruz (Hugo), um dos pilares históricos do atendimento de trauma no Estado, entrou no centro do debate sobre a gestão da saúde pública. A estrutura atual deve ser convertida em uma maternidade e hospital voltado à saúde da mulher, conforme anúncio recente do vice-governador Daniel Vilela.
A mudança drástica no perfil de atendimento de uma das maiores e mais demandadas unidades de saúde de Goiânia levanta, de imediato, cobranças necessárias sobre o planejamento da rede estadual. O remanejamento de um hospital estruturado para média e alta complexidade em traumas para o foco materno-infantil mexe diretamente com o fluxo de socorro de urgência que atende a capital e o interior.
A reformulação está condicionada à inauguração e operação plena do Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) e à ampliação do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), além do suporte de unidades do interior. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), o plano prevê:
Cronograma de transição: A transferência dos serviços de urgência e trauma do Hugo ocorrerá de forma gradual a partir da conclusão das novas etapas de expansão da rede estadual, prevista para ser consolidada entre o final de 2026 e o primeiro semestre de 2027.
Redistribuição do fluxo de trauma: Os atendimentos de média e alta complexidade hoje concentrados no Setor Pedro Ludovico serão absorvidos prioritariamente pelo Hugol (na região Noroeste da capital) e pelos hospitais estaduais de urgência em municípios do entorno e interior (como Aparecida de Goiânia, Trindade e Anápolis), descentralizando o socorro de politraumatizados.
Investimento e adequação predial: O projeto de reforma e readequação da infraestrutura física do Hugo para abrigar leitos obstétricos, centro cirúrgico ginecológico, UTIs neonatais e atendimento especializado à saúde da mulher está estimado em cerca de R$ 60 milhões a R$ 80 milhões em aportes de infraestrutura e aparelhamento técnico.
A criação de um Hospital da Mulher e Maternidade é uma demanda legítima para a assistência feminina, mas a conversão de um hospital de traumas exige extrema transparência. Mudar a vocação de um prédio desse porte não é apenas trocar a fachada; requer readequação profunda de centros cirúrgicos, enfermarias, UTIs e equipes médicas especializadas.
Além disso, em pleno período de debates públicos sobre os rumos do Estado, o anúncio de reestruturações de tamanha magnitude precisa vir acompanhado de garantias técnicas e orçamentárias robustas. A cobrança agora recai sobre a apresentação de um plano de transição transparente e fiscalizado pelos órgãos de controle, assegurando que nenhum paciente de urgência e emergência fique desamparado durante o processo de migração de leitos na capital goiana.
Por Ricardo Camargo
Por Newton Nunes
Por Fred Kidman