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PolíticaGoiânia
Prefeitura jura que a lista de medicamentos essenciais está totalmente abastecida, mas quem já enfrentou fila de postinho sabe que a teoria é uma e a prática é outra.
Por Newton Nunes · 2 de agosto de 2026 às 01:43 · 3 min de leitura

Reprodução / Redes sociais
Quem já precisou bater perna atrás de um comprimido básico num postinho de saúde sabe que a experiência tem pouco de rotina e muito de prova de resistência. Por isso, quando a administração municipal jura de pés juntos que o estoque da Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (Remume) está 100% abastecido, o cidadão calejado instintivamente coça a cabeça e desconfia.
No papel, o cenário é de novela das oito com final feliz: farmácias da rede municipal transbordando de remédios, da dipirona de combate aos medicamentos de uso contínuo para hipertensão e diabetes. É o tipo de paraíso administrativo que faz qualquer um que vive com o orçamento contado no fim do mês suspirar de inveja.
Como alguém que ainda sabe de cabeça o preço da passagem de ônibus e ajuda a fechar as contas de casa, confesso que prefiro a prova dos nove do balcão. Uma coisa é a lindeza do relatório que brilha na tela do computador da prefeitura; outra bem diferente é chegar na unidade de saúde e dar de cara com aquela clássica plaquinha de esparadrapo avisando que o remédio sumiu.
Zerar o déficit de insumos nas prateleiras públicas seria um feito histórico, quase um milagre de gestão. Se a promessa virar realidade, ótimo: saúde pública de qualidade não é favor nem palanque, é o mínimo que se paga em imposto para receber de volta.
Mas o verdadeiro atestado de funcionamento não sai em boletim oficial. Ele vem quando a dona de casa volta do Cais com a receita atendida e o dinheiro da janta intacto na carteira. Até lá, seguimos com a receita na mão e aquele pezinho atrás de sempre.
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