Estado prorroga Negocie Já II: alívio real ou pressa por caixa?
Por Sandra Bernardes
EconomiaMinaçu
Investimento bilionário focado em minerais tecnológicos consolida o estado na rota da transição energética global.
Por Ricardo Camargo · 28 de agosto de 2026 às 20:19 · 2 min de leitura
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Serra Verde, que opera o projeto Pela Ema, em Minaçu (GO) / Divulgação

Divyulgação / Agência Brasil
A relevância econômica de um Estado não se constrói apenas pela preservação de suas vocações tradicionais, mas pela capacidade de se antecipar às grandes transformações da indústria mundial. Enquanto o agronegócio segue como a espinha dorsal da economia de Goiás, o subsolo goiano desponta como uma fronteira estratégica de alta tecnologia. A confirmação de um aporte financeiro de US$ 750 milhões (mais de R$ 4 bilhões) com participação e garantias de agências e fundos de investimento ligados aos Estados Unidos e parceiros internacionais coloca o Estado no epicentro da transição energética global.
O foco desse investimento expressivo concentra-se na extração e no beneficiamento de elementos de terras raras — matérias-primas indispensáveis para a fabricação de ímãs permanentes usados em turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, satélites e sistemas avançados de defesa cibernética e aeroespacial.
O volume financeiro tem como destino central a consolidação e a expansão operacional da mineradora Serra Verde, localizada no município de Minaçu, na Região Norte de Goiás:
- O Projeto Serra Verde: É a única operação de terras raras em escala comercial na América Latina fora da Ásia e uma das poucas no mundo baseada em argila iônica, que permite a extração de terras raras pesadas (como disprósio e térbio) com processos de menor impacto ambiental relativo e sem necessidade de quebra de rocha dura;
- O Contexto Geopolítico: Mais de 70% da extração e cerca de 90% do refino global de terras raras estão atualmente concentrados na China. O interesse e o aporte norte-americano visam descentralizar as cadeias de suprimento globais e assegurar insumos para as indústrias do Ocidente;
- Destinação dos Recursos: O aporte bilionário é voltado para a ampliação da capacidade da planta de processamento, otimização logística e investimentos em conformidade com padrões internacionais de sustentabilidade ambiental, social e de governança (ESG).
A entrada de recursos desse porte altera positivamente as projeções de arrecadação do Estado e do município de Minaçu, por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) — os chamados royalties da mineração.
No entanto, a história do extrativismo brasileiro ensina que cifras bilionárias não garantem automaticamente a melhoria na qualidade de vida dos moradores do entorno. O verdadeiro teste para o poder público e para a gestão corporativa será assegurar que os royalties e investimentos revertam em qualificação profissional para a mão de obra local, saneamento básico, infraestrutura viária e reforço na saúde pública. O desenvolvimento não pode ficar retido nas plantas industriais; ele precisa se refletir nas ruas e na dignidade da população de Minaçu e do norte goiano.
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Como você avalia a exploração de terras raras em Goiás? Acredita que esse projeto bilionário trará desenvolvimento de longo prazo para Minaçu e região ou o interior continuará apenas exportando matéria-prima bruta? Deixe sua reflexão nos comentários.
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