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Inteligência artificial, mentira de verdade: TSE decide se deepfakes vão reinar em 2026

Tribunal julga vídeo em IA de Bolsonaro exibido pelo PL e cria o manual de sobrevivência do eleitor contra os clones digitais.

Por Newton Nunes · 11 de agosto de 2026 às 15:01 · 4 min de leitura

Inteligência artificial, mentira de verdade: TSE decide se deepfakes vão reinar em 2026

Vídeo de IA exibido na Convenção do PL / Reprodução

Inteligência artificial, mentira de verdade: TSE decide se deepfakes vão reinar em 2026 — imagem secundária

Convenção do PL / Reprodução

Se você já sua frio para descobrir se aquele boleto da empresa de energia que chegou no seu e-mail é verdadeiro ou golpe, prepare o coração. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou a julgar um caso que vai definir se o que você vê na tela do celular durante a campanha eleitoral deste ano é gente de carne e osso ou apenas um amontoado de pixels gerado por computador.

O pivô da discussão é um vídeo produzido por inteligência artificial (IA) do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibido pelo Partido Liberal (PL). O tribunal agora precisa bater o martelo sobre o limite dessa brincadeira tecnológica. O resultado desse julgamento não é só papelada jurídica: ele vai ditar o tamanho da enxurrada de deepfakes que vai invadir o seu grupo da família no WhatsApp até outubro.

O "clone digital" que virou processo

A grande questão que os ministros tentam responder no plenário em sessão iniciada neste mês de agosto de 2026 é simples: até onde o marketing político pode usar a tecnologia para simular a realidade sem enganar o cidadão? O vídeo em questão usa recursos de IA para recriar a imagem e a voz de Bolsonaro, uma técnica conhecida como deepfake, que hoje qualquer adolescente com um computador médio consegue fazer em poucos minutos.

Para os partidos, a tecnologia é uma maravilha que barateia a produção e permite criar conteúdos hiper-realistas para engajar a militância. Para a Justiça, no entanto, o buraco é bem mais embaixo. O risco de usar clones digitais para espalhar promessas absurdas ou, pior, colocar palavras falsas na boca de adversários políticos é o verdadeiro pesadelho dos tribunais para este ano de eleição.

Se o TSE decidir banir ou restringir drasticamente esse tipo de conteúdo, a regra passa a valer para todo mundo — da campanha à presidência até o candidato a deputado aí na sua cidade. Se liberar com pouca fiscalização, o eleitor goiano vai precisar de um curso de perito digital para saber se o candidato que promete asfalto na sua rua realmente existe ou é só um avatar simpático.

Quem paga a conta da modernidade?

Enquanto a tecnologia avança a passos largos, o bolso do cidadão continua no mesmo ritmo de sempre. Toda essa estrutura de inteligência artificial de ponta usada pelos partidos não é barata. E adivinha de onde sai a verba para contratar as agências que criam esses "candidatos virtuais"? Sim, do fundo eleitoral, abastecido diretamente pelos impostos que você paga toda vez que abastece o carro ou faz o rancho do mês.

A grande ironia é que o eleitor financia a própria tecnologia que, depois, vai tentar convencê-lo de que o mundo digital é real. Conforme as regras atualizadas da Resolução nº 23.732 do TSE, conteúdos gerados por IA exigem aviso explícito e destacado sobre o uso da tecnologia (rotulagem obrigatória), sendo sumariamente proibido o uso de deepfakes simulando a fala de candidatos reais. O descumprimento pode acarretar multas que variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil perante a Justiça Eleitoral, remoção imediata do conteúdo das redes e, em casos mais graves de disseminação deliberada de desinformação, a cassação do registro ou do mandato do candidato beneficiado.

O desafio prático de fiscalizar o invisível

O calcanhar de Aquiles dessa história toda é a fiscalização. Mesmo que o TSE proíba o uso de IA sem o aviso explícito de que o vídeo foi manipulado, como segurar a enxurrada de vídeos apócrifos criados em porões da internet e disparados em massa? Em Goiás, onde o eleitorado consome quase toda a sua informação política diretamente pela tela do celular, o estrago de um vídeo falso bem produzido pode ser irreversível antes mesmo que a Justiça consiga mandar derrubar o link.

A decisão do tribunal, portanto, é o primeiro passo de uma longa batalha contra a fraude digital. Até lá, o melhor conselho para o cidadão comum continua sendo o bom e velho ceticismo: se a proposta parecer boa demais para ser verdade, ou se o candidato parecer perfeito demais na tela, desconfie. Na dúvida, o robô pode até ser inteligente, mas a escolha final ainda precisa ser sua.

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