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Por Newton Nunes
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Obra estimada em R$ 1 bilhão prevê reestruturação do tráfego na capital e tem duração estimada de quatro anos.
Por Ricardo Camargo · 15 de agosto de 2026 às 15:07 · 2 min de leitura

Parte do Anel Viário de Goiânia | Foto: projeto/DNIT
A infraestrutura viária, a segurança no trânsito e o desenvolvimento econômico da Região Metropolitana de Goiânia têm uma data decisiva no calendário institucional. A licitação responsável por viabilizar a construção do Novo Anel Viário da capital — denominado tecnicamente de Contorno Leste — foi confirmada para o dia 29 de setembro. Trata-se de um megaempreendimento orçado em aproximadamente R$ 1 bilhão, desenhado como a resposta definitiva para um gargalo histórico: retirar o fluxo pesado de caminhões e carretas que cortam o perímetro urbano da BR-153, congestionando a rotina diária de motoristas entre Goiânia e Aparecida de Goiânia.
O projeto é capitaneado pelo Governo Federal, sob coordenação do Ministério dos Transportes e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), autarquia federal responsável pela aprovação técnica dos projetos executivos, elaboração do edital e condução do certame. A viabilidade da obra decorre de uma força-tarefa política entre a bancada federal goiana no Congresso Nacional — que aportará recursos e emendas orçamentárias de bancada —, o Governo de Goiás e as prefeituras de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo, além do apoio de lideranças empresariais do setor produtivo e imobiliário.
O cronograma de execução prevê quatro anos de obras a partir da formalização contratual e da expedição da ordem de serviço. Em razão da dimensão do empreendimento e da complexidade das obras de arte especiais, a disputa licitatória deve mobilizar grandes consórcios nacionais de engenharia pesada.
A intervenção prevê especificações de ponta para suportar a demanda do transporte de cargas por décadas:
- Pista dupla e pavimento rígido: Serão 44 quilômetros de extensão com pista totalmente duplicada em pavimento rígido de concreto, tecnologia indicada para corredores logísticos pesados devido à sua alta resistência e menor necessidade de manutenções periódicas.
- Complexo de viadutos e pontes: Construção de dezenas de obras de arte especiais, eliminando cruzamentos em nível e assegurando velocidade constante e segurança viária.
- Malha de entroncamentos estratégicos: Conexões diretas com eixos estaduais cruciais, como a GO-020, GO-010, GO-019 e GO-537, interligando o extremo sul da BR-153 (nas proximidades de Aparecida de Goiânia) até a porção norte da Região Metropolitana.
O impacto do Contorno Leste ultrapassa os limites da engenharia e atinge diretamente a dinâmica urbana dos municípios conurbados. Ao criar uma rota alternativa expressa para os veículos que utilizam a região apenas como passagem de longa distância — vindos ou destinados ao Sudoeste Goiano, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Brasília e Norte/Nordeste do país —, a malha viária metropolitana ganha um novo fôlego.
Com a migração do tráfego pesado para o novo contorno, a BR-153 em seu trecho metropolitano poderá ser remodelada e assumir a função de uma avenida urbana expressa e humanizada, reduzindo o risco de acidentes fatais e o desgaste precoce do asfalto. O alívio no tráfego também alcançará a Perimetral Norte, via que historicamente sofre com o excesso de veículos pesados em áreas residenciais e comerciais.
Além de resolver problemas crônicos de mobilidade, o Novo Anel Viário funcionará como um indutor de desenvolvimento econômico regional. Projeções técnicas indicam que a rodovia deverá absorver um volume superior a 22 mil veículos por dia até 2035.
Ao cortar áreas estratégicas de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo, o Contorno Leste abre um novo vetor de expansão territorial. A instalação da nova malha impulsionará a valorização de terrenos, a implantação de polos industriais, condomínios logísticos e centros de distribuição de grande porte, consolidando Goiás como o principal coração logístico e de distribuição de cargas do Centro-Oeste brasileiro.
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