Sessão na Alego: com plenário vazio, Clécio toca expediente sozinho e lê projeto de R$ 81 milhões em alívio fiscal
Por Ricardo Camargo
Ao dizer que confia nos negócios de Fábio Luís porque o conhece desde menino, o ex-tesoureiro do PT tenta trocar a frieza dos documentos e das contas pelo carinho da amizade.
Por Weyder Moreira · · 2 min de leitura
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Delúbio Soares / Reprodução Redes socias
A política brasileira tem um costume perigoso: achar que o tempo apaga tudo e que o povo esquece os escândalos que abalaram o país. Para quem acorda cedo, trabalha honestamente e paga cada imposto em dia, ver velhos conhecidos da Justiça voltarem aos holofotes para dar lição de moral é algo que incomoda e acende um sinal de alerta.
A recente declaração de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, em defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mostra bem como o poder tenta reescrever a própria história. Delúbio veio a público dizer que acredita na inocência do filho do presidente Lula simplesmente porque o conhece "desde criança". Com isso, ele tenta transformar um tema sério, que envolve milhões de reais e investigações da polícia, em uma simples conversa de compadre.
Quem acompanha a história recente do Brasil sabe que essa tentativa de passar pano não se sustenta diante dos fatos:
- O Passado de Quem Fala: Delúbio Soares foi um dos nomes mais fortes do Mensalão, esquema pelo qual foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de ter enfrentado condenações e processos na Operação Lava Jato por desvio de dinheiro público e lavagem de capitais.
- Os Negócios sob Suspeita: Lulinha viu suas empresas do ramo de games e comunicação, como a antiga Gamecorp, receberem dezenas de milhões de reais de gigantes da telefonia que dependiam de decisões do governo federal. As suspeitas sempre foram de tráfico de influência e favorecimento indevido.
- A Realidade do Cidadão: No mundo real de quem empreende ou trabalha com carteira assinada, ninguém fecha contrato milionário só porque é "amigo de infância". Negócios públicos e privados precisam de transparência, prestação de contas clara e respeito à lei.
Quando políticos e dirigentes do passado se juntam para absolver uns aos outros na base do afeto, quem perde é a sociedade. Cria-se a falsa ideia de que tudo o que a Justiça e as auditorias apontaram não passou de exagero ou perseguição.
O Brasil precisa de instituições sérias e de respeito com o dinheiro do povo. Amizade e laços familiares são valiosos na vida privada, mas na vida pública o que vale é a folha corrida, o contrato assinado e a verdade dos fatos. A história não se apaga com tapinha nas costas.
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Por Ricardo Camargo
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