O país do segundo turno perpétuo e da amnésia legislativa
Por Sandra Bernardes
PolíticaGoiânia
Plano do Paço Municipal de contrair R$ 1 bilhão em novas dívidas acende alerta sobre quem realmente paga a conta dos juros.
Por Fred Kidman · 12 de agosto de 2026 às 13:28 · 2 min de leitura

Reprodução / Redes sociais
A máquina pública tem uma fome insaciável, e quem costuma pagar a conta, no fim do dia, é o cidadão comum — aquele que vive contando os trocados para o passe de ônibus ou para o leite das crianças. O Paço Municipal de Goiânia agora projeta um salto ousado, e extremamente perigoso, em suas contas: a intenção de contrair R$ 1 bilhão em novos empréstimos bancários.
Historicamente, o endividamento de governos é uma faca de dois gumes de corte profundo. Se por um lado os burocratas prometem asfaltar o presente, por outro costumam hipotecar o futuro de gerações inteiras. No tabuleiro político da capital, o plano de abocanhar essa cifra de nove zeros exigirá costura política e aprovação, com o projeto de lei autorizativo já encaminhado ao Poder Legislativo e em tramitação pelas comissões temáticas da Câmara Municipal de Goiânia, além de aval do Tesouro Nacional e do Governo Federal sobre as garantias que o município pode oferecer.
Para o trabalhador que vive nos bairros mais afastados, dependendo de postos de saúde sem médicos e de um transporte coletivo capenga, promessas de grandes investimentos frequentemente se transformam em canteiros de obras paralisados e juros astronômicos. Juros estes que saem diretamente do suor dos impostos municipais.
A gestão municipal tenta viabilizar a dinheirama sob a justificativa de destinar os recursos para um plano massivo de investimentos em infraestrutura urbana, focado prioritariamente na pavimentação e recapeamento asfáltico de dezenas de bairros da periferia, obras de drenagem pluvial para prevenção de alagamentos e conclusão de corredores e obras de mobilidade urbana. O fato é que, na economia real de quem sente a inflação na pele, cada bilhão tomado pelo poder público é uma sombra que se projeta sobre o orçamento da cidade pelos próximos anos. Continuarei atento e cobrando transparência absoluta sobre onde cada centavo dessa dinastia de juros será enterrado.
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