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Por Ricardo Camargo
PolíticaGoiânia
Aprovada pelo Legislativo, a intervenção na capital divide opiniões enquanto tenta resgatar o patrimônio e o comércio da região central.
Por Sandra Bernardes · 30 de julho de 2026 às 20:24 · 3 min de leitura

Reprodução / Redes sociais

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Quem caminha hoje pelas calçadas esburacadas do Centro de Goiânia mal consegue imaginar que aquelas esquinas já respiraram a vanguarda do urbanismo de Attílio Corrêa Lima. O coração da capital, outrora o altar da modernidade Art Déco sob o sol do Cerrado, há muito padece sob o manto do abandono e do descaso público. Agora, uma nova cartada tenta soprar vida em um dos seus corredores mais emblemáticos: a histórica Rua 8 está prestes a se transformar em um calçadão exclusivo para pedestres.
A proposta, recentemente aprovada no parlamento municipal, pretende barrar o tráfego de veículos para devolver a via aos cidadãos, trabalhadores e frequentadores. É uma tentativa de criar um refúgio de convivência e fomento ao comércio local, que há anos sofre com a concorrência da descentralização urbana e dos grandes centros de compras.
No papel, o Calçadão da Rua 8 promete atrair novos negócios, impulsionar a economia criativa e resgatar o fluxo de pessoas pelo Centro, reduzindo os riscos do tráfego intenso. A pé, o cidadão observa a cidade de outra maneira, sem a pressa dos motores.
Contudo, a realidade exige desconfiança. Para além do calçamento e do paisagismo, o Centro de Goiânia clama por segurança, zeladoria urbana e incentivos fiscais consistentes para os comerciantes tradicionais. Sem um plano estruturado para garantir a ordem e a limpeza, o calçadão corre o risco de virar apenas um cenário bonito sem impacto real a longo prazo.
O primeiro passo no tabuleiro foi dado pelo poder público. Cabe agora cobrar que o projeto saia do papel com a eficiência e a urgência que o patrimônio da cidade exige, fiscalizando se a Rua 8 voltará de fato a ser um espaço vivo.
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