A herança de Iris e o xadrez milionário do PL em Goiás
Por Fred Kidman
PolíticaGoiânia
Enquanto deputados correm para trocar de legenda e a direita larga na frente nas disputas estaduais, o cidadão comum assiste ao custoso teatro da sobrevivência política.
Por Fred Kidman · 6 de agosto de 2026 às 22:21 · 4 min de leitura
O grande teatro político de 2026 abriu suas cortinas, e a conta da peça, como sempre, sobra para o bolso do cidadão que conta moedas no fim do mês para sobreviver. Com a mira apontada para o pleito marcado para 4 de outubro (1º turno), a chamada "janela partidária" transformou os bastidores do poder em um verdadeiro mercado de balcão. Parlamentares correm contra o relógio para mudar de partido antes do prazo legal.
Para quem vive contando trocado para pagar a passagem de ônibus ou a conta de luz, ver deputados correndo para mudar de legenda soa quase como um deboche. Mas para eles, redesenhar as forças neste momento é a diferença entre a sobrevivência e o esquecimento político. A pressa se justifica pela necessidade de garantir legenda forte e acesso ao Fundo Eleitoral, aprovado no Orçamento de 2026 no valor recorde de R$ 4,9 bilhões.
A largada dos governadores e a pressão sobre a esquerda
Na Florença do século XV, Maquiavel ensinava que a política é a arte de manter o poder, custe o que custar. No tabuleiro atual, esse pragmatismo se traduz em uma corrida frenética pelos governos estaduais. As primeiras movimentações indicam que a direita larga na frente nessa disputa de fôlego pelo comando dos estados. Esse avanço precoce coloca o governo federal e seus aliados sob forte pressão.
O maior drama desse arranjo político se concentra na tentativa de unificar forças em redutos históricos. A disputa interna entre aliados de primeira hora tem complicado severamente a montagem dos palanques de apoio à esquerda, especialmente em regiões estratégicas como o Nordeste. O que deveria ser uma frente ampla se transformou em uma guerra de foice por espaço político, com partidos aliados trocando farpas por candidaturas locais.
O reflexo no tabuleiro de Goiás e o preço da paralisia
Essa turbulência nacional ecoa diretamente nas articulações em solo goiano, onde partidos tradicionais tentam consolidar suas chapas majoritárias. No estado, o quadro já conta com pré-candidaturas postas e cotadas ao Palácio das Esmeraldas, como a do governador Daniel Vilela (MDB), do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e do senador Wilder Morais (PL). Os partidos de direita e centro-direita locais tentam capitalizar o favoritismo apontado nos cenários gerais, enquanto a oposição ligada ao governo federal patina para fechar alianças viáveis no estado. O risco, como sempre, é que o debate de ideias seja soterrado pela briga por cargos.
Como um velho jornalista que já viu muitas dessas primaveras eleitorais passarem, sei que a covardia das redações costuma ignorar o verdadeiro custo dessa paralisia administrativa. Enquanto secretários de Estado e parlamentares se distanciam dos cargos para articular candidaturas, os problemas reais — como o avanço da criminalidade urbana e os desafios de preservação do Cerrado, mas que exige combate contínuo à supressão ilegal e aos focos de poluição — ficam em segundo plano.
O jogo está apenas começado, e o tabuleiro nacional dita o ritmo dos tambores aqui em Goiás. Aos que esperam por propostas reais para a saúde, segurança ou educação, resta o conselho deste velho jornalista: cobrem coerência e coragem dos seus representantes, pois o espetáculo eleitoral custa caro, e quem paga a conta é sempre você.
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Por Ricardo Camargo