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Por Ricardo Camargo
PolíticaGoiânia
Verba do projeto 'Morar no Centro' é sacrificada para custear festival de aniversário da capital, deixando habitação social em segundo plano.
Por Fred Kidman · 25 de julho de 2026 às 12:22 · 3 min de leitura


O poeta romano Juvenal, há quase dois milênios, já nos alertava sobre a tática infalível dos poderosos para anestesiar as massas: pão e circo. Séculos se passaram, impérios ruíram, mas a velha cartilha da conveniência política continua intacta sob o sol do Planalto Central. Em Goiânia, a administração municipal acaba de assinar uma dessas manobras que fazem qualquer cidadão que já apertou o cinto na vida sentir um nó no estômago: R$ 3 milhões foram retirados do programa habitacional *Morar no Centro* para financiar o Festival Viva Goiânia, evento que celebra o aniversário da capital em outubro.
A decisão expõe com crueza as reais prioridades do Paço Municipal. Enquanto o coração histórico da nossa velha Goiânia padece com o esvaziamento comercial, a degradação urbana e a falta gritante de moradia digna para as famílias de menor renda, a verba que deveria reerguer prédios e garantir um teto a quem precisa é convertida em palcos, refletores e holofotes temporários.
O programa *Morar no Centro* não é um mero capricho arquitetônico. Trata-se de uma iniciativa vital, desenhada para atrair novos moradores, combater a degradação e devolver segurança e infraestrutura a uma região que clama por socorro. Arrancar uma fatia milionária desse orçamento para queimar em celebrações passageiras mostra uma sensibilidade social anestesiada pelo barulho dos palcos.
Para o trabalhador goianiense, que enfrenta diariamente o encarecimento do custo de vida e a escassez de habitação acessível, a manobra soa como um acinte. Celebrar a história da capital é justo e meritório, mas o custo desse banquete não deveria ser cobrado de quem já vive contando trocados para garantir a própria dignidade.
Quando os refletores forem desligados e o confete varrido das calçadas, o festival terá passado, mas a realidade fria e dura do déficit habitacional continuará exatamente no mesmo lugar. Resta ao cidadão, o verdadeiro pagador dessa conta salgada, exigir explicações claras sobre o esvaziamento de uma pauta tão urgente quanto a moradia.
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