Operação Simulatio: MP-GO desmonta esquema milionário de fraudes
Por Fred Kidman
GoiâniaGoiânia
Enquanto administração avança no programa de adoção de áreas públicas por empresas e recupera equipamentos, ocorrências policiais e mudanças de identidade visual pautam o debate sobre o uso das áreas de lazer.
Por Ricardo Camargo · 15 de agosto de 2026 às 13:34 · 4 min de leitura

Preça no Setor Bueno / Reprodução

Praça com playground / Reprodução
As praças públicas de Goiânia, historicamente reconhecidas como pontos de encontro e lazer das famílias, vivem um período de redefinição que mistura esforços de revitalização urbana, readequação cultural e gargalos históricos de segurança. Essa vocação paisagística remonta de forma indelével às gestões do ex-prefeito Nion Albernaz, cuja visão urbanística pioneira e política intensiva de ajardinamento e arborização renderam à capital goiana o título nacional de Cidade das Flores e das Praças. Por um lado, a administração municipal tenta resgatar e descentralizar a manutenção desses cartões-postais por meio de parcerias com a iniciativa privada; por outro, episódios recentes de violência e a necessidade de reparos constantes mantêm em alerta os moradores que dependem dessas áreas para o convívio diário.
O programa municipal "Adote uma Praça" ganhou tração com a celebração de novos termos de cooperação sob a liderança do prefeito Sandro Mabel, que assinou os atos como chefe do Poder Executivo municipal ao lado da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Serviços Públicos (Seinfra). A iniciativa visa acelerar a recuperação e o embelezamento dos pontos de convivência nos bairros — um modelo que busca reviver o padrão estético e o cuidado ambiental deixados como legado por Nion —, transferindo temporariamente a responsabilidade de conservação para entes privados em troca de publicidade permitida em lei.
Atualmente, dezenas de pedidos de adoção de praças e áreas verdes aguardam análise técnica da administração municipal. Os processos em tramitação contemplam setores como Bueno, Marista, Oeste, Jardim América, Jardim Goiás, Sul, Setor Pedro Ludovico, Parque Amazônia, Jaó, Nova Suíça, Universitário, Campinas, Vila Nova, Coimbra e Alto da Glória. A expectativa é que o modelo reduza os custos de manutenção para o erário, permitindo que a prefeitura direcione recursos para outras demandas urgentes.
Paralelamente ao programa de adoção, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) informou ter recuperado mais de 1,7 mil equipamentos urbanos em praças públicas. O mutirão de reformas envolveu bancos, lixeiras, brinquedos de playgrounds e aparelhos de academias ao ar livre, com intervenções intensificadas ao longo do primeiro semestre, em resposta ao desgaste natural e ao vandalismo que frequentemente inutilizam esses espaços de convivência comunitária.
Apesar dos esforços de manutenção estrutural e do apelo histórico das áreas verdes para o lazer familiar, a integridade física dos frequentadores continua sendo um ponto crítico na experiência urbana. Em episódio recente de violência, um homem foi assassinado a tiros durante um evento com aglomeração na Praça Walter Santos, no Setor Coimbra. O crime reacendeu as cobranças comunitárias por patrulhamento preventivo e maior controle de eventos noturnos em logradouros abertos.
Para as famílias, a iluminação deficiente e a oscilação na presença de rondas policiais ou da Guarda Civil Metropolitana transformam áreas de lazer em locais de insegurança no período noturno. O equilíbrio entre ocupar o espaço público com cultura e garantir a tranquilidade dos moradores vizinhos permanece como desafio central da segurança urbana.
A transformação dos espaços de convivência de Goiânia também alcança a identidade visual e o transporte coletivo. Um projeto aprovado pela Câmara Municipal prevê que terminais de ônibus integrados a grandes eixos sejam personalizados com homenagens a clubes tradicionais do futebol goiano. A proposta inclui a caracterização visual do Terminal Praça A em tributo ao Atlético Goianiense, cujo cronograma de adequação visual e pintura depende da publicação do decreto regulamentador pelo Poder Executivo e do alinhamento operacional com a Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC).
Enquanto a cidade debate novas intervenções urbanas, o centro histórico preserva sua relevância simbólica. A Praça Cívica, que abriga o monumento a Pedro Ludovico Teixeira, segue como referência cultural e arquitetônica da capital. O espaço reuniu recentemente mais de 150 veículos clássicos e exemplares de colecionadores em evento temático, evidenciando que a tradição do goianiense de ocupar praças bem-cuidadas resiste ao tempo, desde que o poder público garanta infraestrutura, zelo estético e segurança contínua.
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