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Mutirão de sábado traz alívio às famílias, mas expõe fraturas da saúde em Goiânia

A iniciativa do Dia D de Saúde da Criança em sete postos da capital desafoga a demanda reprimida, mas reacende o debate sobre a necessidade de atendimento contínuo na rede pública.

Por Fred Kidman · 25 de julho de 2026 às 20:19 · 3 min de leitura

Mutirão de sábado traz alívio às famílias, mas expõe fraturas da saúde em Goiânia

Divulgação / Prefeitura de Goiânia

Mutirão de sábado traz alívio às famílias, mas expõe fraturas da saúde em Goiânia — imagem secundária

Divulgação / Prefeitura de Goiânia

A Prefeitura de Goiânia promoveu neste sábado (25/07) a mobilização batizada de "Dia D de Saúde da Criança", concentrando o atendimento das 8h às 17h em sete unidades estratégicas da capital, a exemplo da USF Residencial Buena Vista. A pauta do dia incluiu desde consultas médicas e vacinação até exames específicos como avaliação nutricional e rastreamento oftalmológico.

O prefeito Sandro Mabel acompanhou a abertura da iniciativa e argumentou que abrir as portas nos finais de semana é um caminho para alcançar os pais e mães que passam a semana inteira no batente, classificando o esforço como parte de uma política de "saúde ativa". Do lado da gestão da pasta, o secretário de Saúde, Luiz Pellizzer, apresentou dados indicando que edições passadas superaram a marca de 10 mil atendimentos espalhados por mais de 35 postos.

Para quem vive a angústia cotidiana da periferia e depende exclusivamente do SUS, o fôlego é bem-vindo. Quem passa dias correndo atrás de uma vaga sabe o valor de conseguir atualizar a rotina dos filhos, como bem ilustra o relato da atendente Beatriz de Lima Chaves. Contudo, olhar para essas filas que se formam apenas em ocasiões especiais obriga a uma reflexão mais profunda sobre as engrenagens da máquina pública e o sofrimento de quem paga impostos.

O abismo entre o mutirão e a segunda-feira

Nenhuma ação de sábado, por mais bem intencionada que seja, tem o condão de apagar as marcas de uma Atenção Primária fragilizada. Concentrar a força de trabalho em apenas sete pontos — espalhados por localidades como Negrão de Lima, Buena Vista, Jardim América, Itaipu, Jardim Curitiba I, Balneário Meia Ponte e Recanto das Minas Gerais — apenas evidencia o tamanho do buraco e a distância entre o discurso oficial e a realidade dos bairros.

Quem acorda cedo para enfrentar a maratona da rede básica sabe que a escassez de profissionais e a espera interminável por exames não desaparecem com um decreto de fim de semana. A vacinação nos Cmeis e o esforço itinerante dão alívio momentâneo, mas a segunda-feira chega cobrando a fatura: qual é a estratégia definitiva para fixar médicos e garantir atendimento constante nos Cais e UPAs?

Proteger a infância exige planejamento de gente grande, contratos sólidos com profissionais e respeito intransigente ao dinheiro do contribuinte. Seguirei fiscalizando se os números apresentados pelo Paço vão virar rotina nos postos de saúde ou se a segunda-feira continuará sendo o dia do desespero para as famílias goianas.

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