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Por Ricardo Camargo
PolíticaGoiânia
Com o maior contingente da história do país, faixa etária exige mais que discursos partidários; Justiça Eleitoral promete atendimento adaptado.
Por Sandra Bernardes · 7 de agosto de 2026 às 23:47 · 4 min de leitura

Idosos representam cerca de 25% do eleitorado nacional / Reprodução

Reprodução / Redes sociais
O Brasil chega às eleições de outubro de 2026 com o maior contingente de eleitores idosos de sua história, representando cerca de 25% — ou um quarto — de todo o eleitorado nacional apto a votar. O envelhecimento expressivo da população impõe desafios logísticos severos à infraestrutura urbana e de transporte público de Goiás, além de inflar a urgência por acessibilidade real nas seções, sob o risco de excluir milhões do processo democrático.
Este contingente gigante, que hoje representa quase um quarto dos eleitores aptos no país, tornou-se o principal alvo de articulações em Brasília. Setores governistas ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alas da oposição representadas pelo senador Flávio Bolsonaro já desenham discursos focados nas demandas desse público, cientes de que esse voto consolidado define o rumo de prefeituras e governos.
Contudo, o eleitor maduro carrega o peso da experiência e não se deixa seduzir facilmente por discursos ensaiados. Essa parcela da população exige propostas robustas sobre a sustentabilidade da Previdência Social, a eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) e o amparo social à dependência física. Esses temas, infelizmente, costumam ser negligenciados nos palanques partidários.
Em estados populosos, como São Paulo, a proporção de eleitores com mais de 60 anos já atinge a marca histórica de 25% dos cidadãos aptos a votar. O crescimento reflete a transição demográfica nacional acelerada, forçando uma readequação urgente não apenas nas estratégias de marketing político, mas, principalmente, na própria logística operacional das eleições de 2026.
A legislação eleitoral brasileira tenta acompanhar esse envelhecimento estipulando garantias específicas nas normas vigentes. Os eleitores idosos têm prioridade garantida por lei na fila de votação. Dentro desse grupo, os cidadãos com mais de 80 anos têm preferência máxima, passando à frente de qualquer outro eleitor, independentemente do horário de chegada.
Para além da ordem de votação, a Justiça Eleitoral assegura aos idosos o direito de solicitar transferência para seções com acessibilidade facilitada e de contar com ajuda de uma pessoa de sua confiança na cabine de votação. Essas medidas visam reduzir o absenteísmo de quem, por lei, já não é mais obrigado a votar, já que o voto se torna facultativo após os 70 anos de idade.
No entanto, a teoria esbarra nas barreiras físicas do Brasil real. Em Goiás, o eleitorado idoso enfrenta dificuldades que começam muito antes de chegar à urna eletrônica. O transporte coletivo precário aos domingos e a falta de calçadas adequadas ao redor dos colégios eleitorais convertem o exercício democrático em uma verdadeira prova de resistência física para milhares de idosos.
Como jornalista que investiga os meandros do poder e lida diariamente com a gestão de cuidados na vida real, recuso-me a aceitar relatórios oficiais que não funcionam na ponta. Não basta a urna ser acessível se o idoso com limitação de locomoção precisa caminhar centenas de metros sob o sol escaldante porque faltam acessos adequados nos portões das escolas.
As convenções partidárias em curso mostram partidos preocupados em conquistar esse eleitor por meio de acenos ideológicos ou promessas assistenciais vagas. Mas a verdadeira política de cuidado com a pessoa idosa começa no respeito básico aos seus direitos de ir e vir. Garantir acessibilidade é uma obrigação civil, e não um favor que o Estado ou os candidatos prestam a quem passou a vida inteira pagando impostos.
A cobrança desta coluna é clara e direta aos gestores públicos e à Justiça Eleitoral: as seções eleitorais de Goiás estão verdadeiramente prontas para acolher com segurança e conforto um quarto de toda a nossa população eleitora? Os idosos farão a sua parte comparecendo às urnas; resta saber se o Estado estará à altura de recebê-los com a dignidade que a idade e a cidadania exigem.
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