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Por Ricardo Camargo
PolíticaGoiânia
Volume massivo de assistência nos últimos dois anos revela o tamanho do abismo social na capital.
Por Fred Kidman · 24 de agosto de 2026 às 13:10 · 2 min de leitura
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Moradores de Rua em Goiânia / Reprodução

Reprodução Redes sociais
A capital goiana atingiu a expressiva marca de 195 mil atendimentos voltados à população em situação de rua nos últimos dois anos. O dado, que vai muito além da frieza das planilhas burocráticas, revela a dimensão de uma crise social complexa que ocupa as calçadas, praças e esquinas da nossa cidade.
Para quem caminha atento pelas avenidas de Goiânia, o cenário de vulnerabilidade extrema não é novidade, mas a escala do acolhimento impressiona. A rede socioassistencial do município vem intensificando abordagens diárias e serviços especializados para mitigar a dor de homens e mulheres que perderam referências familiares, emprego e moradia, dependendo do apoio público para sobreviver.
O volume expressivo de atendimentos contabilizados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs) concentra uma ampla gama de serviços articulados pela rede pública:
- Abordagem Social Especializada (Seas): Equipes multidisciplinares realizam rondas ativas diuturnas para mapeamento, escuta qualificada, mediação de conflitos e convencimento para encaminhamento à rede de proteção.
- Centro Pop e Casas de Acolhida: Oferta de higiene pessoal, alimentação diária balanceada (café da manhã, almoço e lanche), guarda de pertences, lavanderia e pernoite em unidades de acolhimento institucional temporário.
- Documentação e Cidadania: Auxílio direto na emissão de segundas vias de certidões de nascimento, carteiras de identidade (RG), CPF e inscrição/atualização no Cadastro Único (CadÚnico) para acesso a benefícios sociais.
- Saúde e Tratamento de Dependência: Articulação com equipes do Consultório na Rua, unidades de pronto atendimento e Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para cuidados médicos básicos e tratamento de dependência química.
- Capacitação e Recâmbio: Oficinas de qualificação profissional, incentivo à reinserção no mercado de trabalho e auxílio-viagem (recâmbio qualificado) com custeio de passagens para pessoas que desejam restabelecer vínculo com familiares em suas cidades de origem.
Desde a Antiguidade, a força moral e o desenvolvimento de uma sociedade são medidos pela forma como ela acolhe os seus cidadãos mais fragilizados. Não se trata de caridade cosmética ou de discurso assistencialista; trata-se de um imperativo humanitário. Aqueles que hoje disputam as marquises da capital necessitam de uma estrutura pública robusta, capaz de oferecer não apenas um prato de comida emergencial, mas uma porta de saída sustentável da miséria.
Esse volume de assistência prestada ao longo dos últimos 24 meses evidencia que a demanda por proteção social é contínua e exige orçamento prioritário. É o retrato de uma Goiânia que se verticaliza e cresce com seus edifícios espelhados, mas que precisa, obrigatoriamente, olhar para o chão de asfalto e estender a mão a quem mais precisa.
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Como você avalia as ações de acolhimento e assistência à população em situação de rua em Goiânia? O que ainda falta para transformar atendimento emergencial em moradia e emprego dignos? Deixe sua reflexão nos comentários.
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