Déficit em Conselhos Tutelares de Goiânia gera alerta sobre proteção infantil
Por Ricardo Camargo
SocialGoiânia
Enquanto a burocracia estatal engatinha, redes de solidariedade, voluntários e o Banco de Alimentos da Ceasa transformam doações em política de sobrevivência nas periferias goianas.
Por Fred Kidman · 25 de julho de 2026 às 21:09 · 3 min de leitura

Divulgação / CEASA

Reprodução / Redes sociais
Nas sombras da suposta bonança econômica de Goiás, uma engrenagem de socorro mútuo opera sem alarde para travar uma guerra diária contra a fome. Nas periferias urbanas e rurais do Estado, o que garante a próxima refeição de milhares de famílias não é o ritmo lento da máquina pública, mas a compaixão organizada da sociedade civil — uma rede que mobiliza estudantes, desportistas e entidades sem onerar o bolso do contribuinte em sua essência voluntária.
Como já nos advertia o geógrafo Josué de Castro em sua clássica "Geopolítica da Fome", a escassez não é um capricho da natureza, mas uma ferida social e política que demanda resposta imediata. Em solo goiano, essa resposta ganha carne e osso nas madrugadas frias das centrais de abastecimento.
Um retrato dessa engenharia de sobrevivência pulsa no posto de coleta do Banco de Alimentos na Ceasa goiana. Ali, em apenas dois meses, o esforço concentrado triou e destinou 100 mil quilos de alimentos que teriam o lixo como destino certo. Não estamos falando de frios relatórios estatísticos, mas de toneladas de dignidade que chegam às mesas de quem já perdeu a conta de quantas noites dormiu com o estômago vazio na região metropolitana de Goiânia.
Mas a trincheira é vasta. No esporte, iniciativas como a liderada por Victor na Associação Desportiva Goiânia Futsal mostram como a paixão pelas quadras pode ser convertida em amparo social em massa, conectando doações a dezenas de entidades filantrópicas. É o eco de uma juventude que descobre nos bancos escolares ou nas universidades o mantra definitivo: não é preciso fortuna, é preciso vontade para não ser indiferente.
Nos bairros historicamente esquecidos, instituições como a Legião da Boa Vontade mantêm-se vivas pelo suor de doadores anônimos. O trabalho vai muito além da entrega burocrática de uma cesta básica; envolve acolhimento psicossocial e suporte a crianças que crescem sob o peso da exclusão estrutural.
Nessa mesma rede, a agricultura familiar cumpre papel estratégico por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), tentando encurtar a distância entre o pequeno produtor e as panelas das cozinhas comunitárias. Fica a lição: a terra goiana é farta, desde que se derrubem as barreiras entre quem planta e quem tem fome. Em Goiás, a solidariedade nunca foi favor — é resistência pura.
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