O monstro invisível: Como o pior El Niño em 150 anos vai assaltar o bolso do trabalhador
Por Fred Kidman
EconomiaGoiânia
Estado fecha julho com alta em novos CNPJs, mas sobrevivência dos negócios esbarra em juros altos e falta de suporte real.
Por Sandra Bernardes · 10 de agosto de 2026 às 12:02 · 2 min de leitura

Goiás registrou a abertura de mais de 15 mil novas empresas em julho / Foto: Juceg
O mês de julho fechou com o registro de mais de 15 mil novas empresas em Goiás. O número, embora celebrado nos bastidores do poder como um selo definitivo de dinamismo econômico, esconde uma realidade que exige mais do que aplausos protocolares: a real capacidade de sobrevivência desses negócios em um cenário macroeconômico hostil.
De acordo com o balanço de julho divulgado pela Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), Goiás somou exatamente 15.284 novos CNPJs. O movimento reflete o fôlego do goiano para o trabalho, mas acende um alerta sobre a natureza desse crescimento. Empreende-se por oportunidade real ou por pura falta de opção no mercado de trabalho formal?
Abrir uma empresa no papel é a parte fácil do processo. O verdadeiro teste de resistência começa no dia seguinte, especialmente em um momento de juros reais elevados no país, que limitam o acesso a crédito produtivo, e com o endividamento das famílias impondo limites ao consumo de massa. Para o pequeno comerciante ou prestador de serviços que acaba de entrar no mercado, o fôlego financeiro costuma ser curto.
Celebrar o aumento de registros sem apresentar políticas públicas sólidas de sustentabilidade para essas empresas é entregar uma narrativa incompleta. Cobramos respostas claras: quais são os programas reais de capacitação, simplificação tributária e microcrédito que garantirão que essas iniciativas sobrevivam ao primeiro ano de vida? Sem esse suporte, o que hoje é comemorado como desenvolvimento corre o risco de virar estatística de endividamento amanhã.
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