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Anitta sem cerveja? Cantora explica veto a bebidas em novos shows

A polêmica decisão de restringir o álcool na nova turnê da cantora levanta o debate: dá para encarar o pancadão de cara limpa?

Por Newton Nunes · 8 de agosto de 2026 às 03:31 · 4 min de leitura

Anitta sem cerveja? Cantora explica veto a bebidas em novos shows

Anitta explicou por que não venderá bebidas alcoólicas em parte de seu show • Reprodução/TV Globo

Imagine pagar caro no ingresso — cujos valores em grandes turnês do pop nacional variam entre R$ 150 e R$ 400 nos setores convencionais — para ver sua diva favorita e, ao chegar lá, descobrir que a única coisa líquida disponível é água mineral de copinho. Na última sexta-feira (7), Anitta veio a público explicar a polêmica que parou a internet: a restrição de bebidas alcoólicas em shows da sua nova turnê.

A cantora, conhecida por não ter papas na língua, admitiu que a decisão "deu até polêmica", mas tentou acalmar os ânimos de quem já estava entrando em pânico com a possibilidade de ver o show de cara limpa. Para o trabalhador que junta os trocados do mês para ver a artista, a notícia caiu como um balde de água fria — sem gelo e sem destilado.

O mistério do copo vazio

Tudo começou quando surgiram rumores de que as apresentações da nova turnê de Anitta teriam restrições severas ao álcool. Para uma artista que construiu sua carreira embalando festas, baladas e carnavais regados a todo tipo de drinque, a ideia de um "show careta" parecia quase uma heresia para os fãs mais festeiros.

Anitta, contudo, fez questão de explicar que a história não é bem assim. Em entrevista ao programa Mais Você, a artista esclareceu que a restrição de bebidas alcoólicas vale exclusivamente durante as experiências imersivas de bem-estar, que antecedem o show principal e incluem práticas como meditação guiada, dança circular e alinhamento energético. A justificativa é permitir que o público vivencie a proposta de conexão e saúde mental sem a interferência do álcool — e não uma proibição ditada por alvarás de classificação indicativa ou pelo formato da arena.

Mesmo com a explicação, o público brasileiro, que tem o hábito sagrado de segurar um copo de plástico enquanto tenta acertar a coreografia de "Envolver", não perdoou. Afinal, encarar uma pista lotada, um calor de rachar e o empurra-empurra clássico de grandes eventos sem uma cervejinha gelada exige um preparo psicológico de monge budista.

O bolso agradece, mas a alma chora

Se olharmos pelo lado puramente financeiro — especialidade deste jornalista que ainda sabe de cabeça que a tarifa do transporte público na Região Metropolitana de Goiânia se mantém fixada em R$ 4,30 e acompanha o preço do litro da gasolina —, a proibição momentânea do álcool tem um lado positivo inesperado: menos gastos colaterais na fatura do cartão.

Quem costuma frequentar grandes arenas sabe que o preço de uma latinha quente de cerveja em grandes festivais e shows de arena costuma orbitar entre R$ 15 e R$ 22. Se você multiplicar isso pelas três ou quatro horas de evento, a economia forçada de bebida pode ser a diferença entre pagar a conta de luz ou entrar no cheque especial.

Por outro lado, o entretenimento é, historicamente, a válvula de escape de quem passa a semana inteira pegando transporte público lotado e batendo ponto. Tirar o direito de tomar um chopp enquanto assiste à patroa rebolar parece, para muitos, uma punição injusta para quem já paga tão caro pelo lazer do final de semana.

Marketing ou nova fase artística?

Há quem diga que toda essa discussão é apenas uma grande jogada de marketing para colocar os novos projetos da cantora — que envolvem o projeto autoral e as apresentações voltadas ao equilíbrio pessoal e ritmos brasileiros — na boca do povo antes mesmo do primeiro acorde. E, se foi essa a intenção, funcionou perfeitamente, já que o assunto dominou as redes sociais ao longo do dia.

Se a moda pega, o mercado de entretenimento pode sofrer uma revolução — ou um colapso de bilheteria. Resta saber se o goiano, acostumado a grandes festivais sertanejos onde a bebida flui livremente, aceitaria entrar nessa onda de sobriedade forçada por um ícone do pop nacional.

Por enquanto, os fãs continuam divididos entre os que apoiam a iniciativa por questões de segurança e os que se recusam a ir a um show sem o direito de brindar. De concreto, fica o aviso de Anitta de que a polêmica está apenas começando, e cada um terá que decidir se o rebolado vale o effort de curtir parte do evento inteiramente de cara limpa.

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