Pesquisa em Goiás revela variação de até 478% na cesta básica
Por Ricardo Camargo
EconomiaGoiânia
Bloqueio orçamentário federal coloca em risco o acesso ao seguro rural e deixa o produtor desamparado diante das intempéries.
Por Fred Kidman · 6 de agosto de 2026 às 19:07 · 4 min de leitura

Divulgação / Stock TN
A terra generosa do cerrado goiano sempre exigiu suor, resiliência e, acima de tudo, coragem de quem madruga para ver o grão brotar. Mas a incerteza climática ganhou uma aliada perigosa na burocracia de Brasília: a tesoura dos cortes orçamentários. Um recuo drástico nos recursos destinados à subvenção federal ameaça fazer desabar a área com seguro rural em Goiás, escancarando a fragilidade de quem sustenta a mesa do brasileiro sem ter com quem contar na hora do prejuízo.
Falar de seguro no campo não é mero luxo de planilha ou tecnicismo de escritório com ar-condicionado. É a diferença entre o agricultor reerguer a cabeça após uma geada ou uma seca implacável, ou perder o trator, a safra e o teto da família num único temporal. Quando o Estado retira o ombro da parceria, a corda arrebenta justamente no pescoço de quem produz o alimento que chega à feira e ao supermercado da nossa gente.
O reflexo dessa torneira fechada não fica restrito à cerca da fazenda. Na economia real, aquela que bate à porta do trabalhador urbano na hora de comprar o arroz e o feijão, o risco de quebra de safra sem proteção se traduz imediatamente em inflação e desespero. Sem garantia para o financiamento, o pequeno e o médio produtor reduzem o plantio, o que encolhe a oferta e dispara o preço no varejo.
Não podemos normalizar que o equilíbrio fiscal do país seja feito nas costas de quem trabalha de sol a sol sob o sol inclemente do Centro-Oeste. A proteção ao campo é uma questão de segurança alimentar pública e de justiça social elementar. Sem um colchão financeiro mínimo, a agricultura familiar e o agronegócio de médio porte ficam à mercê de uma roleta-russa climática que não perdoa erros.
Enquanto discursos oficiais tentam pintar um cenário de bonança e recordes estatísticos, a realidade do campo mostra um cenário bem mais árido. O orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) sofreu um tesouraco devastador de R$ 518 milhões para a safra atual — somando R$ 461,7 milhões em bloqueios e R$ 56,3 milhões em cancelamentos definitivos —, encolhendo em mais de 50% o montante que deveria proteger a produção nacional. A conta, como sempre, sobra para o elo mais fraco da cadeia produtiva — o homem e a mulher do campo que não têm para onde correr quando o céu fecha.
Proteger o produtor rural não é dar esmola corporativa; é garantir que o prato do goiano continue tendo comida farta e preço justo. A redação do Tudo Notícias segue de olho, cobrando transparência e cobrando de quem tem a caneta na mão a hombridade de não abandonar quem carrega este país nas costas.
Por Ricardo Camargo
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