Xamã de chatbot: Anvisa alerta contra gurus criados por inteligência artificial
Por Newton Nunes
Ciência e TecnologiaGoiânia
Plano estadual quer colocar a capital na rota dos supercomputadores, mas morador quer saber se a tecnologia ajuda a tapar buraco na vida real.
Por Newton Nunes · 23 de agosto de 2026 às 19:58 · 2 min de leitura

Lançamento do Distrito de IA Goiás / Reprodução

Centro de Goiânia / Reprodução
Se você passou pela região Central ou pelo Setor Universitário ultimamente e pensou que o lugar precisava de uma bênção para sair do abandono, o plano agora vem com sotaque high-tech e muito concreto armado. O governo estadual colocou na mesa nada menos que R$ 300 milhões para tirar do papel o Distrito de Inovação e Inteligência Artificial de Goiás. A ambição declarada pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, José Frederico, e pelo Palácio das Esmeraldas é transformar Goiânia na capital nacional da IA, unindo desenvolvimento urbano, pesquisa acadêmica de ponta e atração de multinacionais.
Para o cidadão comum — que passa o mês calculando o preço da gasolina para cruzar a cidade e suando para pagar os boletos —, ver um volume financeiro dessa magnitude exige olhar atento. R$ 300 milhões é muito zero na tela. O projeto promete não ser apenas um devaneio de computação em salas com ar-condicionado, mas um choque de investimentos com metas físicas, reformas estruturais e parcerias consolidadas.
A engenharia financeira e a reconfiguração física do complexo foram detalhadas em frentes muito bem delimitadas:
- R$ 200 Milhões em Infraestrutura: Destinados à reforma completa de quatro prédios públicos estratégicos e à construção de novas estruturas de apoio;
- Anexo da Sead: O atual prédio anexo da Secretaria de Estado da Administração, que divide terreno com o Hub Goiás, será totalmente requalificado para receber as primeiras empresas e startups;
- Prédio da Semad: A antiga sede da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na 11ª Avenida, será convertida em um centro de residências tecnológicas em IA;
- Prédio da Juceg: Localizado na Rua 260 com a Rua 259, o edifício passará por reforma para abrigar a nova sede da Goiás Tecnologia;
- R$ 30 Milhões em PD&I: Montante aplicado diretamente no fomento de pesquisas, subsídios de inovação e aceleração de novos negócios digitais;
- Aporte CEIA-UFG: O complexo contará ainda com a sinergia dos R$ 78 milhões do convênio com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (Ceia-UFG).
Para garantir que o espaço não vire um "elefante branco tecnológico", o Estado já garantiu a chegada da primeira âncora corporativa: a Semantix, multinacional brasileira de big data e IA que atua em sete países e alcançou valor de mercado de US$ 1 bilhão na Nasdaq em 2022. A companhia assinou um memorando de entendimento para instalar operações no distrito.
Além disso, a primeira fase de ativação projeta:
- Geração de Emprego: Criação de 1.406 postos de trabalho diretos;
- Circulação Diária: Movimentação estimada em 3.273 pessoas por dia em auditórios, lounges, cafés e áreas de convivência integradas;
- Requalificação Urbana: Mudanças no fluxo viário, alargamento de calçadas com foco total no pedestre, intervenções artísticas e revitalização de espaços simbólicos, como a Praça Universitária e a Biblioteca Marieta Telles;
- Apoio Municipal: Parceria declarada pelo prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, para atrair investimentos e facilitar a integração com os serviços municipais.
O grande teste de fogo desse investimento bilionário é garantir que a riqueza gerada não fique restrita a um pequeno grupo de especialistas importados. A iniciativa nasce integrada à UFG e à Pontifícia Universidade Católica (PUC Goiás), representadas pela sub-reitora Camila Cardoso e pela reitora Olga Ronchi, que defenderam o projeto como instrumento para frear a fuga de cérebros e diminuir desigualdades sociais.
Para colocar o jovem da periferia dentro desse ecossistema, o programa vai oferecer 1.500 bolsas de estudo para cursos vinculados ao Distrito, turmas gratuitas de nível técnico pelo Senac e descontos especiais via Sistema S.
Se a inteligência artificial conseguir destravar o comércio local, movimentar os restaurantes da região e gerar emprego com carteira assinada para quem precisa, terá o reconhecimento das ruas. Caso contrário, será a primeira vez na história que Goiânia gasta R$ 300 milhões para ouvir um robô responder: "desculpe, não entendi sua pergunta".
Por Newton Nunes
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