Ciclone-bomba deixa rastro de destruição e expõe fragilidade na prevenção de desastres
Por Sandra Bernardes
SocialGoiânia
Audiência pública analisa impacto da mudança de sistema operacional que tem gerado insegurança no atendimento de servidores estaduais.
Por Ricardo Camargo · 17 de agosto de 2026 às 23:05 · 4 min de leitura

Sede do Ipasgo / Reprodução
Para quem trabalha o mês inteiro no serviço público goiano e vê religiosamente o desconto da assistência médica corroer o contracheque, a sensação atual é de abandono e indignação. O Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (Ipasgo Saúde) afunda em mais uma crise institucional, empurrando milhares de famílias para o desespero de ter consultas, exames e cirurgias desmarcados em cima da hora. A escalada do descontentamento culminou na convocação de uma audiência pública de emergência na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), no Auditório Carlos Vieira, no Palácio Maguito Vilela, onde o funcionalismo promete cobrar explicações duras da gestão estadual.
A revolta dos servidores não é infundada. As sucessivas decisões administrativas e a imposição de um novo modelo operacional transformaram o que deveria ser um benefício em uma fonte constante de estresse. Quando o plano falha na hora em que o trabalhador mais precisa, o servidor é obrigado a tirar dinheiro do próprio bolso para pagar consultas particulares ou enfrentar as filas já saturadas do Sistema Único de Saúde (SUS) — pagando duas vezes por um direito que já lhe custa caro todo mês.
O estopim para o colapso recente foi a troca unilateral da empresa responsável pelo processamento do faturamento eletrônico do Ipasgo, efetivada na virada do primeiro trimestre deste ano. A contratação, realizada em caráter emergencial sob o pretexto de "modernização e auditoria", provocou um apagão operacional no fluxo de guias médicas.
Na ponta da linha, o resultado tem sido desastroso:
Glosas indevidas e atrasos nos repasses: Médicos, clínicas e hospitais conveniados relatam a recusa em massa de procedimentos regulares e atrasos severos nos pagamentos, gerando um clima de desconfiança generalizada.
Descredenciamento e recusa de atendimento: Diante da insegurança financeira criada pelo sistema, prestadores de serviço em todo o estado começam a restringir agendas e suspender atendimentos especializados, deixando o servidor sem assistência médica básica.
Travamento de exames de alta complexidade: Pacientes em tratamento oncológico, hemodiálise ou aguardando cirurgias eletivas enfrentam negativas e lentidão injustificáveis na emissão de autorizações pelo novo software.
A categoria denuncia que a decisão do governo de terceirizar o sistema de TI sem o devido teste de compatibilidade colocou a saúde dos servidores em risco e expôs a autarquia a possíveis prejuízos milionários decorrentes de erros de processamento.
A atual crise é vista pelas entidades de classe como mais um capítulo de um processo contínuo de precarização do plano. Os servidores relembram medidas anteriores adotadas pela cúpula do Executivo estadual, como as tentativas históricas de limitar cotas de consultas por médico e as recentes alterações jurídicas que reestruturaram a autarquia sob a promessa de eficiência — promessa essa que nunca se materializou no dia a dia dos segurados.
A indignação dos servidores ecoa forte nas redes sociais e nos corredores dos órgãos públicos. A categoria rejeita o discurso oficial de que se trata de uma "mera instabilidade de parametrização", apontando ingerência e incompetência administrativa na transição tecnológica.
Enquanto a direção do Ipasgo tenta justificar o contrato alegando combate a fraudes e maior conformidade regulatória, quem paga a conta é a ponta fraca dessa corda: o trabalhador que vê seu salário minguar e, quando adoece, encontra as portas dos consultórios fechadas. A audiência na Alego surge como uma trincheira necessária para barrar o desmonte e exigir respeito a quem dedica a vida a servir o Estado de Goiás.
Por Sandra Bernardes
Por Ricardo Camargo
Por Newton Nunes