O valor do tempo e do afeto: no HMAP, voluntariado transforma a dor da internação em acolhimento e esperança
Por Weyder Moreira
PolíticaGoiânia
Serviço com motocicletas busca agilizar socorro; início, frota e cobertura ainda dependem de detalhamento oficial.
Por Ricardo Camargo · 28 de agosto de 2026 às 19:50 · 2 min de leitura

Frota de 7 motolâncias do Samu para agilizar os primeiros socorros / Foto: Alex Malheiros
A eficiência do atendimento pré-hospitalar em uma metrópole que beira 1,5 milhão de habitantes é medida em frações de minutos. No trânsito cada vez mais saturado de Goiânia, a distância entre a base de socorro e o local de uma parada cardiorrespiratória ou de um acidente grave muitas vezes esbarra em retenções nas principais vias da cidade. É nesse contexto de urgência que a Prefeitura de Goiânia oficializou a retomada do serviço de motolâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A reativação do modal marca o fim de um hiato de dez anos: as motocicletas de socorro estavam fora de operação na capital desde 2016. A iniciativa atende a uma demanda histórica de médicos e socorristas por agilidade no primeiro atendimento, garantindo que profissionais capacitados cheguem antes das ambulâncias convencionais para estabilizar os pacientes até a remoção.
A volta do serviço não é um anúncio isolado, mas parte de uma reestruturação operacional da rede de mobilidade e saúde do município:
Tamanho da Frota e Início: A operação tem início imediato a partir desta entrega oficial com um lote inicial de sete motocicletas adaptadas, que passam a integrar a escala do Samu;
Capacitação dos Socorristas: Os profissionais destacados para as motolâncias (técnicos de enfermagem e enfermeiros especializados em atendimento pré-hospitalar) passaram por treinamento de pilotagem defensiva e resposta rápida, em cooperação com a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET);
Renovação Ampla de Frotas: O retorno das motolâncias está inserido em um contrato maior de locação e renovação de 529 veículos distribuídos entre oito pastas municipais, incluindo 61 novas viaturas destinadas diretamente para a Saúde e fiscalização de trânsito, substituindo contratos emergenciais e veículos depreciados.
O protocolo para o cidadão acionar o serviço permanece integrado e centralizado:
- Canal de Chamada: O acionamento continua sendo feito exclusivamente pelo número telefônico gratuito 192;
- Triagem e Despacho: A Central de Regulação Médica do Samu avalia a gravidade do caso. Em ocorrências de código vermelho (risco iminente de morte) e em horários de pico de tráfego, as motolâncias são despachadas simultaneamente com as Unidades de Suporte Básico (USB) ou Avançado (USA);
- Equipamentos a Bordo: Cada motocicleta é equipada com desfibrilador externo automático (DEA), oxigenoterapia básica, colar cervical, kits de imobilização e medicações de suporte de vida para estabilização prévia no local da emergência.
Se no papel o retorno das motolâncias representa um avanço inquestionável para a cobertura dos primeiros socorros nos principais eixos viários da capital, na prática a administração municipal tem o dever de manter o serviço longe dos problemas do passado. A paralisação de uma década ocorreu por falta de manutenção, atrasos em credenciamentos e entraves burocráticos no envio de verbas federais de custeio.
Para que o benefício seja sentido de forma contínua pelo morador que enfrenta uma emergência na porta de casa ou no trânsito, a prefeitura precisará dar transparência às escalas de trabalho, assegurar que as motos não fiquem paradas em oficinas e prestar contas periódicas sobre a redução real do tempo de resposta das ocorrências.
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