Pesquisa em Goiás revela variação de até 478% na cesta básica
Por Ricardo Camargo
EconomiaGoiânia
Pequim flexibiliza exigências sanitárias e abre as portas de seu gigante asiático para as polpas e frutas congeladas do Brasil.
Por Sandra Bernardes · 28 de julho de 2026 às 20:41 · 3 min de leitura

Divulgação / EBC

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Quem observa a imensidão dos campos do nosso país costuma enxergar apenas o suor de quem madruga debaixo de sol a pino. Mas o tabuleiro do comércio exterior acaba de sofrer uma guinada estratégica que mexe diretamente com as entranhas do nosso agronegócio e escancara as opções geopolíticas do Palácio do Planalto. A China decidiu simplificar as exigências de importação para polpas e frutas congeladas produzidas no Brasil, derrubando travas burocráticas que há anos sufocavam o escoamento da nossa colheita.
Para o produtor rural que tenta sobreviver às oscilações da economia, a abertura de um mercado colossal como o asiático não é uma fria estatística. É a promessa de salvar safras inteiras do apodrecimento nos galpões. Contudo, como fiscal do poder público, afirmo: nada no xadrez de Pequim é concedido sem uma contrapartida proporcional no futuro.
A flexibilização das regras comerciais não acontece por acaso. Ela é o resultado visível de uma opção clara da diplomacia brasileira em estreitar laços e aprofundar a dependência do Brasil em relação ao mercado chinês. Sob a bandeira do multilateralismo, o que se vê na prática é uma aproximação intensa com uma autocracia de partido único, cujos métodos e controle social distam do modelo democrático e das liberdades individuais garantidos pela nossa Constituição.
Enquanto o governo comemora o gesto de Pequim como uma vitória de sua política externa, cabe fazer as perguntas que incomodam: até que ponto é prudente amarrar o futuro do nosso abastecimento e da nossa renda agrícola aos humores de um regime autoritário? O Brasil alimenta o mundo por mérito de sua terra e da eficiência do seu produtor, mas precisa ponderar os riscos de uma dependência excessiva.
É indiscutível o alívio imediato para quem cultiva frutas e polpas no interior do país. Ver o produto brasileiro processado ganhando o mercado internacional é uma oportunidade importante para agregar valor à nossa produção, historicamente vendida como matéria-prima bruta.
Porém, o abismo entre um acordo diplomático e a melhoria real na vida do trabalhador continua imenso. A infraestrutura de transporte sucateada, o custo dos insumos e a dependência das grandes tradings continuam sendo os verdadeiros obstáculos que assombram o campo. Além disso, é preciso vigiar para que os dividendos dessa reaproximação fiquem concentrados apenas nos megagrupos, enquanto o pequeno agricultor continua vulnerável à inflação e aos juros altos.
Negociar com a segunda maior economia do planeta exige espinha ereta e pragmatismo, não subserviência. A janela foi aberta, mas resta saber se o país saberá colher esses frutos com altivez ou se entregará espaço excessivo a um parceiro implacável.
Por Ricardo Camargo
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