O fortalecimento das cooperativas financeiras em Goiás tem se consolidado como uma alternativa crucial para o agronegócio local / Reprodução
Cooperativas de crédito ampliam financiamento e impulsionam agronegócio em Goiás
Por Ricardo Camargo
EconomiaGoiânia
Entre fraudes de R$ 27 bilhões em combustíveis e Selic que não cai na ponta, brasileiro vira equilibrista para fechar as contas.
Por Newton Nunes · 8 de agosto de 2026 às 14:07 · 4 min de leitura

O brasileiro está sendo sufocado financeiramente / Reprodução TN

Reprodução TN
Se viver no Brasil já exige um coração forte para aguentar as oscilações do mercado, ser consumidor em 2026 está demandando uma verdadeira pós-graduação em sobrevivência financeira. Entre o início do ano e este segundo semestre, quem tenta manter as contas no azul em Goiânia e no resto do país enfrenta uma gincana de absurdos que vai de rombos bilionários em bombas de combustível até a eterna e misteriosa lentidão na queda dos juros do cartão de crédito. É um malabarismo diário que custa caro: apenas em fraudes no setor de combustíveis, estima-se um prejuízo brutal de R$ 27 bilhões aos bolsos dos motoristas, enquanto o cidadão cobra da gestão do governo federal respostas concretas e uma fiscalização eficiente que vá além do discurso de gabinete.
Abastecer o carro virou um teste de fé para o goiano. Um estudo recente revelou que as fraudes em postos de combustíveis — aquela mistura marota que destrói o motor ou a famosa bomba que marca 40 litros mas entrega 35 — arrancaram nada menos que R$ 27 bilhões dos consumidores. Para o trabalhador que conta as moedas para rodar o mês, esse ralo financeiro é um soco no estômago, especialmente com a gasolina flutuando na casa dos R$ 6,47 a R$ 6,62 por litro em Goiânia. A ineficácia dos órgãos federais de regulação em sufocar o crime de colarinho branco nas distribuidoras expõe a urgência de uma cobrança direta ao Governo Federal por rigor técnico e controle de mercado.
E se você achou que o alívio viria pelo crédito, pode esperar deitado. Embora o Banco Central venha ensaiando cortes na taxa Selic, essa redução simplesmente não chega para o consumidor final na mesma velocidade. A falta de concorrência bancária e a ausência de uma política econômica federal capaz de desatar esse nó fazem com que, quando a taxa básica sobe, o banco eleve os juros no mesmo minuto; mas quando cai, o desconto pareça vir a pé, debaixo de chuva. A explicação técnica envolve risco de inadimplência e captação bancária, mas para quem está pagando o rotativo do cartão, trata-se de omissão regulatória.
No meio desse tiroteio de boletos, o consumidor tenta se virar como pode para economizar. Uma das poucas notícias que deram um refresco real foi a queda de 9% no preço da energia solar para o consumidor final, registrada no acumulado do ano anterior. Com a conta de luz tradicional cobrando tarifas pesadas nas bandeiras tarifárias por conta de gargalos do sistema elétrico nacional, colocar placas no telhado deixou de ser luxo de condomínio fechado e virou tática de legítima defesa financeira contra o peso do Estado.
Outro movimento curioso de sobrevivência vem do setor de construção civil. Cansados de ver o cliente sumir por causa dos preços inflacionados pelas grandes redes de varejo, os próprios fabricantes de materiais de construção decidiram abrir lojas próprias. A estratégia de vender o piso e o cimento diretamente da fábrica para o cliente final é uma tentativa de eliminar os intermediários e garantir que aquela reforma na cozinha finalmente saia do papel sem estourar o orçamento familiar.
E como desgraça pouca é bobagem, o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 também acabou caindo no colo de quem consome. Representantes do setor de bares e restaurantes já começaram a projetar o caos, afirmando que o próprio consumidor vai rejeitar a mudança trabalhista quando perceber que o preço do almoço de domingo ou do chopp vai subir para cobrir os novos custos de contratação.
É a velha máxima do mercado brasileiro: qualquer avanço na qualidade de vida de quem trabalha vem acompanhado de uma ameaça velada de repasse de preço, num ambiente onde o governo federal falha em desonerar a produção e proteger quem está na ponta. No fim das contas, seja na padaria da esquina, no posto de combustível ou na tentativa de financiar uma casa, o cidadão comum continua sendo o elo mais fraco de uma corrente que sempre puxa para o mesmo lado. Se o bolso aguentar até o final de 2026, já vai ser caso de pedir música no Fantástico.
O fortalecimento das cooperativas financeiras em Goiás tem se consolidado como uma alternativa crucial para o agronegócio local / Reprodução
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