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Política

Vereador denuncia prefeitura por barrar estágios da Unifan e aponta retaliação política em Aparecida

Com acusações de que o Executivo age por ressentimento pós-eleitoral, Felipe Cortez leva ao plenário o drama de milhares de universitários impedidos de atuar na rede municipal e cobra posicionamento de vereadores que silenciam diante do racha político.

Por Weyder Moreira · 3 de setembro de 2026 às 13:24 · 3 min de leitura

Vereador denuncia prefeitura por barrar estágios da Unifan e aponta retaliação política em Aparecida

Vereador Felipe Cortez usa tribuna para denunciar / Reprodução

Vereador denuncia prefeitura por barrar estágios da Unifan e aponta retaliação política em Aparecida — imagem secundária

Reprodução / Redes sociais

O espaço público não é uma extensão dos comitês de campanha, e a máquina administrativa não pode servir de instrumento para acertos de contas partidários. Quando as desavenças de palanque contaminam as decisões institucionais, quem paga o preço da desordem é o cidadão comum, que depende da eficiência dos serviços básicos. Em Aparecida de Goiânia, o plenário da Câmara Municipal foi palco de uma denúncia contundente que ilustra esse desvio de finalidade: a prefeitura está sendo acusada de barrar os estágios supervisionados obrigatórios de milhares de alunos do Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan) nas unidades de saúde do município.

A denúncia, formalizada na tribuna pelo vereador Felipe Cortez, joga luz sobre um imbróglio que mistura retaliação política, silêncio legislativo e um prejuízo direto ao funcionamento da rede pública de saúde da cidade.

O peso do palanque e a quebra de um contrato histórico

De acordo com o relato do parlamentar, a gestão municipal comunicou de forma meramente verbal ao pró-reitor da instituição, professor Divino Gustavo, que não tem mais interesse em dar continuidade ao convênio de cooperação. A medida afeta milhares de estudantes de cursos como Medicina, Enfermagem e Nutrição, que dependem da vivência prática nos hospitais e unidades básicas para concluir a formação e obter seus diplomas.

O rompimento unilateral esbarra em um obstáculo administrativo grave: o contrato entre a Unifan e o município existe desde 2008 e possui vigência formal garantida até 2029. Cortez ressaltou que a instituição de ensino superior vem cumprindo rigorosamente as contrapartidas firmadas na cláusula décima do documento, que incluem a concessão de bolsas integrais para o município, o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a manutenção de apólices de seguro contra acidentes pessoais para os estagiários.

Para o vereador, a justificativa da prefeitura passa longe da técnica. Ele atribui o bloqueio a uma perseguição do chefe do Executivo, que não teria "descido do palanque eleitoral" e estaria penalizando a instituição por ela ser vinculada ao seu adversário político, o deputado federal Professor Alcides. O resultado prático é a fuga de capital humano: alunos de Aparecida estão sendo obrigados a se deslocar para Goiânia, Senador Canedo, Trindade e Nerópolis para conseguir cumprir a grade curricular obrigatória.

A omissão do Legislativo e o impacto na saúde pública

A cobrança mais dura de Cortez, no entanto, foi direcionada aos próprios colegas de parlamento. O vereador lembrou que 15 dos atuais parlamentares da Casa receberam apoio político direto do Professor Alcides para se elegerem, mas agora adotam uma postura de omissão e "covardia" diante da decisão do Executivo. Nomes como Rosinaldo do Boy, Gleison Flávio, Mazinho, Lipe Gomes, Clusemar, Dieyme e Camila foram instados diretamente na tribuna a se manifestarem em defesa da instituição de ensino, que atua há mais de 50 anos na educação básica e há 25 no ensino superior da cidade.

Fazendo questão de frisar publicamente que não é aliado político nem apoiador do deputado federal em questão, Cortez sustentou que seu repúdio não trata de defesa pessoal, mas de proteção a uma instituição e aos interesses da cidade. A presença de estagiários da área médica e de enfermagem nos corredores do SUS é uma força de trabalho vital que ajuda a desafogar o sistema, agiliza triagens e humaniza o atendimento diário.

Ao expulsar esses alunos das unidades por conveniência política, a prefeitura não atinge apenas o adversário de ontem; ela pune o paciente de hoje, que aguarda na fila por atendimento. A gestão municipal precisa esclarecer os reais motivos da recusa e demonstrar que suas decisões são pautadas pelo interesse público, não pelas cicatrizes deixadas nas urnas.

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Você considera que a prefeitura está agindo por retaliação política ao barrar os estágios da Unifan? Como essa decisão afeta o atendimento nos postos de saúde de Aparecida de Goiânia? Deixe sua reflexão nos comentários.

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